OMS declarou em 17 de maio uma Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional, o segundo nível mais elevado, mas determinou que o surto "não preenche os critérios para uma emergência pandémica".
A partir desta terça-feira, os viajantes que cheguem a Macau provenientes dos países que podem ser afetados pela pandemia de ébola terão de se submeter a um período de vigilância de 21 dias.
No sábado, o Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana disse que Angola está entre os 10 países que correm o risco de ser afetados pela epidemia.
Além da República Democrática do Congo (RDCongo), epicentro da epidemia, e do vizinho Uganda, a lista inclui Sudão do Sul, Ruanda, Quénia, Tanzânia, Etiópia, Congo, Burundi, Angola, República Centro-Africana e Zâmbia.
Num comunicado divulgado na segunda-feira à noite, os Serviços de Saúde de Macau (SSM) informou que os indivíduos que tenham visitado estes países "devem proceder à autogestão da saúde por um período de 21 dias, contados a partir do dia de entrada" na região chinesa.
O vírus ébola, que matou mais de 15 mil pessoas em África nos últimos 50 anos, provoca uma febre hemorrágica altamente contagiosa e tem um período de incubação que pode atingir até 21 dias, sublinharam os SSM.
Os viajantes sem sintomas "serão sujeitos ao acompanhamento e gestão da saúde", enquanto aqueles que apresentem sintomas "serão transferidos de imediato" para "avaliação e exames mais aprofundados" no hospital público.
Os SSM mencionam entre os "sintomas suspeitos" febre, fadiga, dores de cabeça, dores de garganta, vómitos, diarreia, erupções cutâneas ou "hemorragia de causa desconhecida".
Em 18 de maio, Macau já tinha reforçado o rastreio dos viajantes vindos ou que passaram pela RDCongo ou pelo Uganda, apesar de defender que "o risco imediato" era baixo.
A partir desta terça-feira, é também reforçado o controlo sanitário e a avaliação de risco para os titulares de passaporte dos 12 países apontados como em risco de serem afetados pela epidemia.
A última vez que Macau impôs um período de vigilância a viajantes foi durante a pandemia de covid-19, durante a qual quem chegava à região tinha de cumprir uma quarentena em isolamento que chegou a ser de 28 dias.
Na segunda-feira, o líder da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, admitiu um "atraso na deteção da epidemia" de ébola, que descreveu como "extremamente grave e difícil de gerir".
A OMS declarou em 17 de maio uma Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional, o segundo nível mais elevado, mas determinou que o surto "não preenche os critérios para uma emergência pandémica".
A epidemia já conta com mais de 900 casos suspeitos e 220 mortes suspeitas, mas a organização alertou para a possibilidade de "um surto potencialmente muito maior do que o que está a ser detetado atualmente".
A OMS salientou ainda que, ao contrário de outras estirpes de ébola, "não existem atualmente tratamentos ou vacinas aprovados especificamente para o vírus Bundibugyo", que apresenta uma taxa de letalidade de até 50%.
Ainda assim, a organização sublinhou que "nenhum país deve fechar as fronteiras ou impor restrições às viagens e ao comércio", alertando que tais medidas poderiam ser contraproducentes.
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