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Mais de 100 organizações pedem à COP30 processo real para fim dos combustíveis fósseis

Organizações salientam que roteiro para os combustíveis fósseis precisa ir "além de um exercício técnico".

03 de fevereiro de 2026 às 15:09

Mais de 100 organizações da sociedade civil pediram à presidência da conferência do clima da ONU realizada no Brasil em 2025 (COP30), um processo "real e inclusivo" para o fim dos combustíveis fósseis.

Numa carta aberta dirigida à presidência da COP30, na sequência de uma carta publicada pelo presidente da conferência, André Corrêa do Lago, as 114 organizações alertam que "sem um compromisso político mais forte e um processo genuinamente participativo" o roteiro para o fim dos combustíveis fósseis corre o risco de se tornar "mais um documento que junta poeira".

O roteiro foi proposto pelo Brasil na COP30, realizada em Belém em novembro do ano passado, mas o documento ficou fora do texto final, por pressão dos países produtores de petróleo.

Na carta as organizações alertam que a credibilidade da ação climática global depende cada vez mais da capacidade dos governos de promover uma "redução justa e ordenada da produção e do consumo de combustíveis fósseis".

E salientam que a iniciativa de roteiro para os combustíveis fósseis da Presidência da COP30 precisa ir "além de um exercício técnico".

"Se algo ficou absolutamente claro no início de 2026, é que os países precisam de se libertar dos mercados voláteis de petróleo, que os expõem a riscos geopolíticos e a choques recorrentes de preços. Tem de haver uma redução ordenada dos combustíveis fósseis e distribuição de energia acessível e justa", disse Andreas Sieber, chefe de estratégia política da organização "350.org", que coordenou a iniciativa da carta com a rede brasileira Observatório do Clima.

A carta alerta que a dependência contínua de combustíveis fósseis expõe os países a choques de preços, conflitos e coerção, acrescentando que uma transição baseada na ciência é essencial não apenas para os objetivos climáticos, mas também para a resiliência económica e a estabilidade política.

Entre os signatários do documento, a que a Lusa teve acesso, estão organizações de justiça climática, povos indígenas, direitos humanos, grupos religiosos e comunitários.

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