Jornalista investigava uma série de supostos casos de corrupção no governo maltês e ligações ao narcotráfico e ao crime organizado.
Malta assinala este domingo o quinto aniversário do homicídio da jornalista de investigação Daphne Caruana Galizia, dois dias depois dos principais suspeitos do crime declararem-se culpados durante o julgamento que os condenou a 40 anos de prisão.
O arcebispo da pequena nação insular, Charles Scicluna, celebrou uma missa na manhã deste domingo na pequena igreja de Bidnija, perto de onde morava Daphne Caruana Galizia.
Este domingo, acontece também uma manifestação silenciosa no local do atentado, uma manifestação noturna organizada por associações da sociedade civil a pedir justiça e uma vigília num memorial improvisado em frente aos tribunais de Valletta.
Na sexta-feira, Alfred e George Degiorgio foram condenados a 40 anos de prisão cada, depois de confessar a morte da jornalista de investigação Daphne Caruana Galizia há cinco anos, em 16 de outubro de 2017.
Os dois irmãos, de 57 e 59 anos, respetivamente, detidos preventivamente desde dezembro de 2017, retiraram a declaração de inocência e confessaram a sua culpa no primeiro dia do julgamento.
Daphne Caruana Galizia, que havia investigado o suposto envolvimento da classe política maltesa com os 'Panama Papers' e descoberto escândalos de corrupção e da máfia, foi morta depois de um engenho explosivo ter sido ativado no carro onde seguia, num ataque que chocou a opinião pública e levou à renúncia do então primeiro-ministro maltês, Joseph Muscat.
Os irmãos Degiorgio concordaram em admitir a responsabilidade pelo crime em troca de benefícios de prisão e uma pena de 40 anos de prisão, caso contrário, enfrentariam prisão perpétua. A juíza Edwina Grima proferiu a sentença e obrigou-os a pagar também, cada um, 43.000 euros em custas processuais.
Até agora, o caso está envolto em torno de quatro sujeitos: o empresário Yorgen Fenech, acusado de planear o assassínio e que foi preso em 2019 quando tentava deixar Malta a bordo do seu iate, e os autores, os irmãos Degiorgio e um terceiro cúmplice, Vince Muscat, condenado a 15 anos em fevereiro de 2019.
O taxista Melvin Theuma, acusado de ser intermediário entre o mandante do crime e os assassinos e que foi amnistiado por ajudar a esclarecer o caso, disse que o empresário Fenech foi o "único cérebro" do crime.
O Governo e a oposição saudaram a sentença de sexta-feira como um passo em frente, mas disseram que a justiça plena ainda não foi cumprida.
A jornalista, autora do blogue Running Commentary, investigava uma série de supostos casos de corrupção no governo maltês e as ligações ao narcotráfico e ao crime organizado que se espalharam por toda a ilha, Estado da União Europeu.
Após as primeiras prisões, o escândalo multiplicou-se quando o magnata Fenech, perseguido pelas investigações da jornalista, acusou o chefe de gabinete do primeiro-ministro, Keith Schembri. Este último e vários ministros deixaram o cargo por serem suspeitos de ter laços financeiros com o empresário, numa cascata de demissões que levou o primeiro-ministro Joseph Muscat a renunciar.
O Ministério Público acusou os três assassinos, os irmãos Degiorgio e Vincet Muscat de colocar a bomba no carro e ativá-la, e considerou Fenech o mandante do crime.
Yorgen Fenech está a aguardar julgamento após ser acusado em 2021 por suposta cumplicidade no assassínio e por conspiração para cometer assassínio. Fenech nega qualquer participação no assassínio da jornalista.
Dois outros homens foram acusados de fornecer a bomba e estão atualmente a aguardar julgamento. Ambos se declararam inocentes.
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