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Ajuda vai incidir sobretudo na Síria, onde vivem mais de dez milhões de deslocados e se vive um conflito interno há mais de dez anos.
As equipas da AMI (Assistência Médica Internacional) e da Médicos Sem Fronteiras (MSF) estão a desenvolver na Turquia, mas sobretudo na Síria, operações de ajuda às vítimas dos sismos de segunda-feira, avançaram esta terça-feira as duas organizações.
Segundo o presidente da AMI Portugal, Fernando Nobre, a preocupação principal da organização é com as populações do norte da Síria, "onde vivem mais de dez milhões de deslocados" e onde se regista um conflito interno há mais de uma década.
"Entendo que o Governo turco tem recursos que são suficientes para fazer face à tragédia" causada pelo terramoto de segunda-feira, que alcançou uma magnitude de 7,8 na escala de Richter, e pelas réplicas, disse à Lusa Fernando Nobre.
Sublinhando que a AMI "quer fazer uma intervenção útil", defendeu que "mais vale concentrar os esforços no norte da Síria", onde já se vive "um drama esquecido", adiantou Fernando Nobre, admitindo que a sua principal preocupação são as crianças.
"Nestes momentos há sempre [crianças] que desaparecem e entram em circuitos onde nunca deviam estar", disse.
O responsável explicou ainda que a operação será feita através de um parceiro local da AMI com quem a organização já trabalha na ajuda aos deslocados sírios.
"O nosso parceiro tem cerca de 40 médicos no terreno, vai-nos dizer se é necessário mais", avançou o presidente AMI Portugal, adiantando que, para já, está preparado o envio de abrigos "para ajudar a passar o resto do inverno", cobertores, alimentos e água.
Um apoio que, segundo Fernando Nobre, será promovido inicialmente com 200 mil euros das reservas próprias da AMI, mas que depois deverá ser complementado "com um apelo à ajuda dos portugueses em geral".
Também no caso da MSF, o apoio está a ser dado através das equipas e parceiros locais, como adiantou a organização em comunicado, sublinhando que os médicos estão a trabalhar sem parar.
"As instalações de saúde estão sobrecarregadas e o pessoal médico no norte da Síria está a trabalhar sem parar para responder ao grande número de feridos que chegam às instalações", adiantou a MSF, referindo que, desde as primeiras horas, já tratou cerca de 200 feridos e recebeu 160 vítimas nas instalações e clínicas que administra ou apoia no norte de Idlib, na Síria.
"As nossas ambulâncias também foram acionadas para atender a população", referiu, lamentando a morte de um dos funcionários da organização, sob os escombros da sua casa em Idlib.
"Estamos muito chocados e tristes com o impacto deste desastre nos milhares de pessoas afetadas, incluindo os nossos colegas e as suas famílias", afirmou o líder da missão da MSF na Síria, Sebastien Gay.
A organização adiantou ainda ter fornecido apoio imediato a 23 centros de saúde nas províncias de Idlib e Aleppo, doando recursos médicos de emergência e apoiando-os com equipas médicas, além de ter doado cobertores e 'kits' essenciais de vida para as populações deslocadas do noroeste da Síria.
"O nível de danos na região causou a destruição de centenas de casas, deixando milhares de desalojados", contou a MSF, adiantando que, apesar de estar a nevar há pelo menos três dias, a população mantém-se na rua com medo de novos tremores de terra.
"As necessidades são muito altas no noroeste da Síria, pois este terremoto adiciona uma camada de drama à já sentida pelas populações vulneráveis há muitos anos em guerra", acrescentou Sebastien Gay.
O balanço provisório dos sismos na Turquia e na Síria ultrapassa já os cinco mil mortos, mas, segundo uma estimativa esta terça-feira avançada pela Organização Mundial da Saúde, o número de pessoas afetadas pelos terramotos pode chegar aos 23 milhões.
A União Europeia já mobilizou 25 equipas de busca e salvamento, envolvendo perto de 1.200 socorristas oriundos de 21 países, incluindo Portugal, para ajudar as autoridades turcas nas operações de resgate.
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