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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Membro do BCE considera necessário subir taxas de juro devido aos efeitos da guerra

Economista apontou que a inflação na zona euro já chegou aos 3% e deverá atingir os 4% no final do ano.

26 de maio de 2026 às 11:32

A membro da Comissão Executiva do Banco Central Europeu (BCE) Isabel Schnabel considerou que é necessário aumentar as taxas de juro na zona euro, atualmente em 2%, para fazer face à inflação decorrente da guerra no Irão.

"Na perspetiva atual, creio que será necessário aumentar as taxas de juro em junho", disse Schnabel à agência Reuters, numa entrevista esta terça-feira citada pela Efe.

Questionada sobre se faria sentido um aumento imediato das taxas de juro ou posteriormente, Schnabel reforçou que as decisões são tomadas reunião a reunião e com base em dados.

"Nas próximas reuniões iremos reavaliar os dados e analisar se é adequado um novo aumento das taxas de juro. Nós não nos comprometemos antecipadamente com nenhuma trajetória específica das taxas de juro", vincou.

Ainda assim, reconheceu que é necessária uma reação da política monetária para fazer face à inflação resultante da guerra no Irão.

"Mesmo que a guerra terminasse hoje, já foram causados muitos danos às infraestruturas globais, por isso mesmo, neste caso, creio que seria necessária uma reação da política monetária", afirmou a economista alemã.

Schnabel registou que há atualmente um impacto adverso na oferta "e isso representa sempre um dilema para a política monetária", uma vez que pode representar "a necessidade de endurecer a política monetária", mas também agravar o impacto negativo na economia.

"Dada a dimensão e a persistência do impacto, na minha opinião, ignorá-lo já não é uma opção", defendeu, apontando que afasta a inflação da meta do BCE, de 2% a médio prazo.

A economista apontou que a inflação na zona euro já chegou aos 3% e deverá atingir os 4% no final do ano.

Schnabel recusou ainda comentar as expectativas do mercado de que o BCE irá subir as taxas de juro por três vezes este ano.

"O cenário económico que tínhamos em março incorporava as expectativas do mercado de duas subidas das taxas de juro", apontou, acrescentando: "Somos nós que dirigimos o mercado, não o mercado que nos dirige".

A próxima reunião de política monetária do BCE realiza-se em 10 e 11 de junho em Frankfurt, Alemanha.

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