Investidor Mikhail Fridman vai mesmo lançar uma oferta pública de aquisição pelos 70,9% do capital do Grupo Dia que ainda não controla.
1 / 3
O milionário russo Mikhail Fridman, acionista da dona do Minipreço através do fundo Letterone, anunciou que vai lançar uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre o grupo espanhol Dia a um preço de 0,67 euros por ação.
O preço da OPA traduz um prémio de 56% face à cotação de fecho de ontem, mas está bem abaixo do valor que o empresário russo pagou em 2018. No ano passado Fridman comprou ações da cotada espanhola a um preço entre 3,42 e 3,73 euros por acção.
Segundo a imprensa espanhola, o objetivo do investidor, que atualmente detém 29% do Dia, passa por controlar a empresa a 100%. E após a conclusão da tomada de controlo, avançar com um aumento de capital de 500 milhões de euros e retirar a empresa da bolsa. Este reforço de capital surge em alternativa ao plano atual delineado pela gestão da empresa, que tinha assegurado um plano de financiamento junto da banca para superar as dificuldades financeiras que atravessa.
Se conseguir ficar com 100% do Dia, o milionário russo investirá perto de 300 milhões de euros. Desta forma, está disposto a investir até 800 milhões de euros neste plano para recuperar a empresa de supermercados espanhola com forte presença em Portugal.
O lançamento de uma OPA acontece depois de Fridman e os restantes membros indicados pelo Letterone terem abandonado o conselho de administração do Dia em dezembro, por considerarem insuficiente o aumento de capital de 600 milhões de euros planeado pela atual liderança do grupo. Para não perder peso na estrutura accionista, o fundo de Fridman teria de investir 174 milhões de euros.
A cadeia de supermercados espanhola encontra-se num processo de reestruturação e terá, segundo o jornal espanhol Expansión, mandatado o Santander e o BBVA para encontrarem um comprador para a Clarel, cadeia de lojas de drogaria, perfumaria e higiene pessoal. Em Portugal a Clarel conta com 73 estabelecimentos.
No final do mês de janeiro também fpoi noticiado que o empresário português Luís Amaral tinha comprado uma participação de cerca de 1% no capital do grupo espanhol Dia. E segundo o Expansion o CEO da Eurocash, empresa de retalho grossista na Polónia, estará do lado da atual administração do Dia, encabeçada por Borja de la Cierva.
As ações do Dia estão a reagir em forte alta à OPA, tendo registado uma valorização máxima de 59,56% para 0,685 euros, já acima da contrapartida de Fridman. Nas últimas sessões tinham já registado um desempenho positivo, precisamente na expectativa sobre o lançamento desta OPA. Desde o início do ano acumulam agora um ganho de 45%, depois de terem afundado mais de 90% em 2018.
O grupo, que enfrenta dificuldades financeiras, viu a sua situação deteriorar-se quando, em Outubro, o JPMorgan publicou uma nota negativa sobre o grupo e a própria empresa emitiu um "profit warning", no qual anunciou que espera uma queda substancial no EBITDA deste ano e não vai pagar dividendos em 2019. Dias depois, reviu em baixa as receitas obtidas no ano passado em 20 milhões de euros, acentuando a tendência negativa dos títulos. Os resultados de 2018 ainda não são conhecidos, deverão ser apresentados esta semana. Mas as contas de 2017 já registaram uma queda de 19,2% dp resultado líquido ajustado para 217 milhões de euros, enquanto o lucro líquido atribuído recuou 38% para 109 milhões de euros. Uma performance justificada pelo encerramento das operações na China. No exercício de 2017 os proveitos totais do grupo cresceram 1,5% para 10,3 mil milhões de euros, isto apesar de as receitas no mercado espanhol terem encolhido 3,8% devido ao encerramento de lojas neste mercado.Já em Portugal, apesar do número de espaços do grupo ter diminuído também, as receitas atingiram 853 milhões de euros em Portugal, um valor que representa uma ligeira subida de 0,6%. No final do ano passado a retalhista tinha 630 lojas em Portugal, das quais 333 próprias e 297 em franchising. Números que comparam com os 367 espaços próprios que detinha em 2016 e os 256 em regime de franquia.No global, no final de 2017, o Grupo Dia somava 7.399 lojas – 3.603 próprias e 3.785 franchisadas -, o que representa uma ligeira queda face às 7.420 registadas no ano anterior.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.