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Ministro sul-africano das Comunicações nega intenção de beneficiar Starlink

Em causa está um projeto que reduz os requisitos de propriedade de empresas tecnológicas por parte de negros.

27 de maio de 2025 às 21:13

O ministro sul-africano das Comunicações negou, esta terça-feira, as acusações de que um projeto que reduz os requisitos de propriedade de empresas tecnológicas por parte de negros vise beneficiar a empresa Starlink, do bilionário Elon Musk.

De acordo com a legislação sul-africana, as empresas estrangeiras são obrigadas a vender 30% das suas filiais a acionistas negros ou de outros grupos raciais desfavorecidos pelo antigo sistema do 'apartheid', de domínio da minoria branca, para poderem adquirir uma licença.

No entanto, o ministro das Comunicações, Solly Malatsi, propôs, na sexta-feira, uma flexibilização deste requisito, o que suscitou críticas de vários partidos políticos.

A mudança proposta permitiria que a Starlink, de Musk, e outras empresas cumprissem os seus requisitos através de investimento no desenvolvimento de competências e em programas de emprego e fazendo acordos com fornecedores locais.

O ministro apresentou a diretiva dias depois de o Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, se ter reunido com o Presidente dos Estados Unidos, na Casa Branca, numa audiência em que Donald Trump fez afirmações infundadas de que os agricultores brancos sul-africanos estavam a ser alvo de genocídio.

Khusela Diko, membro sénior do Congresso Nacional Africano, questionou a diretiva e se o país estava a ceder para acomodar o negócio de telecomunicações por satélite Starlink.

A Associação de Comunicações e Tecnologia (ACT) afirmou que as alterações propostas podem inaugurar "uma nova era" para o setor, desde que sejam implementadas de forma consistente, justa e aberta.

"Defendemos abordagens mais inteligentes e escaláveis que tenham um impacto significativo e restabeleçam a clareza das políticas, a coerência e a confiança dos investidores", afirmou a ACT num comunicado.

Esta terça-feira, Malatsi, que pertence à Aliança Democrática (partido que integra o Governo de unidade nacional), compareceu perante o parlamento, na Cidade do Cabo, para defender a medida e negou as sugestões de que esta tinha sido introduzida especificamente para a Starlink.

Natural da África do Sul, Musk tem denunciado repetidamente as leis de propriedade negra e disse, nas redes sociais, que a Starlink não conseguiu obter uma licença para operar na África do Sul por ser branca. As autoridades sul-africanas dizem que a Starlink não se candidatou formalmente.

De acordo com o 'site' da Starlink, o serviço na África Austral está disponível em Essuatini, Moçambique, Botswana, Zimbabué, Zâmbia, Malaui, Quénia e Madagáscar.

Desde a sua tomada de posse, a administração Trump terá intervindo em nome da Starlink na Gâmbia, no Lesoto e em alguns outros países em desenvolvimento, utilizando o aparelho de política externa do Governo dos EUA para promover os interesses comerciais de Musk.

Apenas uma semana depois de Trump ter ameaçado com o agravamento das tarifas, o Lesoto aprovou, em abril, uma licença de 10 anos à Starlink.

Malatsi disse que os regulamentos permitiriam a entrada de mais de um novo operador no mercado, aumentando a concorrência.

"Não estamos a tentar abrir uma dispensa especial para a Starlink ou qualquer outra empresa ou indivíduo", disse Malatsi aos deputados, acrescentando que o trabalho sobre esta diretiva começou por volta de setembro e não foi motivado pela recente reunião entre Trump e Ramaphosa.

O documento está em consulta pública por 30 dias.

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