Em causa está apoio militar para reforçar a capacidade de defesa e "potencial antiterrorista".
O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergey Lavrov, anunciou esta terça-feira, em Moscovo, após um encontro com a sua homóloga moçambicana, que a Rússia pode ajudar Moçambique na sua defesa interna e que brevemente irá visitar a nação lusófona.
Lavrov confirmou que vai visitar Moçambique, sem precisar uma data, após ter sido convidado pela diplomata moçambicana, Maria Manuela dos Santos Lucas, com quem se reuniu, hoje de manhã, para assinalar os 50 anos de "amizade e cooperação" entre as duas nações, que se assinalaram em 25 de junho, marco também da independência da nação africana, noticiou a agência russa TASS.
"A senhora ministra convidou-me gentilmente a fazer mais uma visita à hospitaleira [cidade de] Maputo. Farei isso sem falta", disse o representante da diplomacia russa numa conferência de imprensa.
A última visita de Lavrov a Moçambique foi em 2018, precisou a TASS.
Durante a conferência de imprensa, Lavrov declarou que Moscovo se mantém disponível para "reforçar as capacidades de defesa de Moçambique".
"Temos uma tradição de cooperação na defesa (...). Confirmamos a nossa prontidão para considerar todos os pedidos dos nossos amigos moçambicanos sobre questões relacionadas com a necessidade de reforçar a sua capacidade de defesa e potencial antiterrorista", salientou o ministro russo.
Lavrov sublinhou que ameaças à segurança, nomeadamente por terrorismo, continuam a afetar Moçambique e outras nações africanas.
"A senhora ministra falou do que o Governo em Maputo está a fazer para alcançar os objetivos de renascimento nacional, superando as ameaças que permanecem no norte do país [em Cabo Delgado], trabalhando para normalizar a situação e facilitando os esforços para criar condições para que o povo volte a uma vida pacífica", acrescentou.
A província de Cabo Delgado, no norte do país, rica em gás, enfrenta desde 2017 uma rebelião armada, que provocou milhares de mortos e uma crise humanitária, com mais de um milhão de pessoas deslocadas.
O representante russo referiu que, durante as conversações, as partes também discutiram outros conflitos em África, incluindo a situação na República Democrática do Congo, na região dos Grandes Lagos, no Sahel e no Corno de África.
"Como membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a Rússia certamente continuará a contribuir para a criação de condições para o alcance de soluções justas para esses conflitos, baseadas, não em esquemas impostos de fora, mas no princípio de 'soluções africanas para problemas africanos'. Este é o único caminho que leva a um acordo fiável e sustentável", enfatizou Lavrov.
Por sua vez, a Rússia elogiou Moçambique por promover o ensino do idioma russo "numa das suas principais universidades".
"Expressamos a nossa gratidão aos nossos amigos moçambicanos por facilitarem o estudo do idioma russo em Moçambique numa das suas universidades centrais", disse, referindo-se à Universidade Eduardo Mondlane que oferece cursos de russo através do Centro de Educação Aberta da Universidade Estatal de São Petersburgo.
Por seu turno, Lavrov salientou que existem moçambicanos a estudar em universidades russas.
"Atualmente, 75 cidadãos moçambicanos são admitidos anualmente pela quota governamental. Estamos prontos para aumentá-la", acrescentou o ministro.
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