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Moçambique com 16 crianças entre 169 repatriados vítimas de xenofobia na África do Sul

Moçambique possui cerca de 300.000 cidadãos residentes na África do Sul.

07 de junho de 2026 às 23:13

Pelo menos 16 menores de idade estão entre os 169 moçambicanos repatriados da vizinha África do Sul, vítimas de ataques xenófobos, avançou hoje o Governo, que continua a monitorar a situação.

"Neste contexto, decorre o processo de repatriamento de 169 cidadãos moçambicanos, incluindo 16 menores, provenientes das localidades de Mossel Bay e Hermanus, na província do Cabo Ocidental. A chegada ao posto fronteiriço de Ressano Garcia está prevista para o final do dia de hoje", avança o Governo num comunicado divulgado hoje pelo Gabinete de Informação de Moçambique (Gabinfo).

Segundo o documento, as missões diplomáticas e consulares de Moçambique na África do Sul mantêm o acompanhamento permanente da situação e continuam a prestar a necessária assistência aos cidadãos afetados, quando na província de Gauteng foram reportados incidentes envolvendo cidadãos estrangeiros durante manifestações ocorridas em Daveyton, nos arredores de Joanesburgo, sem registo de moçambicanos afetados.

A informação do Governo indica ainda que, na província de KwaZulu-Natal, o Consulado de Moçambique em Durban acompanhou relatos de preocupação de membros da comunidade moçambicana, face ao ambiente de intimidação associado aos recentes discursos anti-imigração.

"As autoridades sul-africanas reiteraram o seu compromisso com a manutenção da ordem pública e a proteção de todas as comunidades residentes no país, reafirmando que não serão tolerados atos de violência ou intimidação contra cidadãos nacionais ou estrangeiros", indica-se no comunicado.

Com estes 169, adicionados aos 545 que chegaram ao país na terça-feira, sobe para 714 o número de cidadãos moçambicanos já repatriados na sequência de ataques xenófobos na vizinha África do Sul.

Manifestantes sul-africanos deram até 30 de junho para todos os estrangeiros abandonarem a província sul-africana de Kwazulu-Natal, conforme informação adiantada anteriormente pelo Governo moçambicano.

Na segunda-feira, o Gabinfo avançou que mais de 800 moçambicanos residentes na cidade de Mossel Bay, na província sul-africana de Cabo Ocidental, foram, em 29 de maio, vítimas de ações de xenofobia que já mataram nove moçambicanos.

As tensões xenófobas são um problema recorrente na África do Sul. Inúmeras comunidades de imigrantes foram repatriadas pelos próprios países, como Moçambique ou a Nigéria, e a África do Sul foi alvo de críticas internacionais por xenofobia. Os incidentes mais graves dos últimos tempos ocorreram no final de 2019, com 18 estrangeiros mortos, segundo dados da organização Human Rights Watch.

Moçambique possui cerca de 300.000 cidadãos residentes na África do Sul. A Presidência indicou, em comunicado, que "milhares" já regressaram ao país face à violência.

A moçambicana Renamo exigiu ao Governo sul-africano uma posição firme contra ataques xenófobos, para reduzir prejuízos de moçambicanos, advertindo que poderá divulgar uma lista de bens de cidadãos daquele país em Moçambique.

Também a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo, no poder) defendeu antes a valorização da ancestralidade para travar ataques xenófobos na África do Sul, encorajando o Governo a prosseguir ações patrióticas na busca de soluções com o país vizinho.

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