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União Europeia pede investigação transparente da morte do bispo Osório Afonso em Moçambique

Bispo da diocese de Quelimane e administrador Apostólico da Arquidiocese da Beira, Osório Citora Afonso, morreu este sábado, confirmou a Conferência Episcopal de Moçambique.

06 de junho de 2026 às 18:58

A União Europeia (UE) pediu este sábado uma investigação "minuciosa e transparente" ao assassínio do bispo de Quelimane, Osório Afonso, lamentando e mostrando-se profundamente chocada com a morte trágica e violenta no centro de Moçambique.

"Apelamos às autoridades para que conduzam uma investigação minuciosa e transparente, a fim de, sem demora, levar os responsáveis à justiça", lê-se no comunicado conjunto dos chefes de Missão da União Europeia e seus Estados membros.

O bispo da diocese de Quelimane e administrador Apostólico da Arquidiocese da Beira, Osório Citora Afonso, morreu este sábado, confirmou a Conferência Episcopal de Moçambique (CEM).

Na mensagem, a União Europeia apresentou as condolências à sua família e à Igreja Católica em Moçambique, solidarizando-se com os moçambicanos perante a perda.

"Nós, os chefes de Missão da União Europeia e dos seus Estados-Membros em Moçambique, estamos profundamente chocados com a morte trágica e violenta de Osório Citora Afonso, Bispo de Quelimane, cuja perda é uma ferida profunda para a comunidade católica e para a sociedade moçambicana como um todo", acrescenta-se na nota.

A polícia de investigação criminal de Moçambique indicou que o bispo de Quelimane foi assassinado este sábado com um tiro no coração por indivíduos ainda não identificados, estando as autoridades a investigar o caso.

Em declarações aos jornalistas, o porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic) na Zambézia, Maximino Amílcar, disse que o bispo foi morto na madrugada deste sábado na sua residência com uma arma do tipo AK-M por indivíduos que teriam escalado o muro da sua residência, tendo vandalizado a segurança elétrica e disparado contra o bispo.

O responsável disse que Osório foi alvejado na "parte do peito, no coração, provavelmente uma bala", remetendo detalhes para outro momento, estando as autoridades a investigar o crime.

O Sernic adiantou que não havia ainda detidos.

"Estamos aqui perante um homicídio agravado como é (...) do domínio público e, por enquanto, não vamos avançar detalhes porque estamos a trabalhar, como sabem que o serviço criminal é para investigar e não é fácil de madrugada para estas alturas trazer estes detalhes deste homicídio agravado", disse Maximino Amílcar.

O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, manifestou, em comunicado, profundo sentimento de pesar e consternação pela morte do bispo.

Na sua mensagem, o chefe de Estado refere que a morte do bispo Osório constitui uma perda irreparável para a sociedade moçambicana, em geral, e para a comunidade cristã, em particular, realçando o facto de ter-se destacado, em vida, pelo culto da humildade, dedicação pastoral e pregação dos valores da paz e reconciliação.

O político moçambicano Venâncio Mondlane lamentou a morte do bispo de Quelimane, repudiando o "brutal assassinato" de Osório Afonso.

"A trágica perda de uma voz tão relevante para a igreja Católica e para a sociedade moçambicana constitui um golpe doloroso contra os valores da paz, da reconciliação e do diálogo no nosso país", escreveu Mondlane nas suas redes sociais.

Membro do Instituto dos Missionários da Consolata, Osório Citora Afonso foi eleito bispo de Quelimane em 25 de julho de 2025, tendo, em abril deste ano, sido nomeado, pelo Papa Leão XIV, Administrador Interino da Arquidiocese da Beira, lembra-se na nota da Presidência.

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