A morte de Nelson Mandela foi confirmada esta quinta-feira pelo presidente da África do Sul.
Nelson Mandela morreu esta quinta-feira, anunciou Jacob Zuma, o atual líder da África do Sul. Tinha 95 anos.
O antigo ativista político e ex-presidente da África do Sul faleceu em casa, nos arredores de Joanesburgo, depois de ter estado internado no hospital de Pretória desde o dia 8 de junho, para tratamento de uma infeção pulmonar recorrente. O seu estado de saúde agravou-se no dia 23 junho, e, desde então, que se encontrava em estado crítico.
LUTA CONTRA APARTHEID VALE MAIS DE 27 ANOS DE PRISÃO
O primeiro Presidente negro de África do Sul, e Nobel da Paz em 1993, passou mais de 27 anos na prisão por lutar contra o apartheid, onde contraiu problemas pulmonares crónicos.
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'MADIBA', O ADVOGADO DOS DIREITOS HUMANOS
O seu percurso político começou aos 23 anos, quando se mudou para Joanesburgo. Mandela tornou-se advogado e símbolo da luta da resistência não-violenta juvenil. Nessa altura foi acusado de traição e fugiu à polícia. Anos mais tarde, tornou-se o prisioneiro mais famoso de sempre.
PERPÉTUA PARA O PRISIONEIRO 46664
Durante o julgamento que o levou à prisão, Mandela declarou-se inocente dos crimes de que era acusado, à exceção da luta pelos direitos humanos e pela liberdade. Foi condenado a prisão perpétua a 11 de junho de 1964 e recebeu o número de prisioneiro 46664.
As paredes que lhe cercaram a vida durante 27 anos não travaram a mensagem que estava em marcha. A África do Sul acabou por deixar cair o regime de segregação racial e abriu portas a um novo modelo social. Libertado em 1990 e nomeado Prémio Nobel da Paz em 1993, Nelson Mandela foi eleito o primeiro Presidente da República negro da África do Sul, no ano seguinte.
Deixou o poder em 1999 e desde então tem levado uma vida mais recatada, também devido aos inúmeros problemas de saúde. Em 2001, combateu um cancro na próstata. A sua última aparição numa cerimónia pública ocorreu durante o Mundial de 2010, realizado naquele país africano.
Nelson Mandela casou duas vezes, a última aos 80 anos com Graça Machel. Ao longo da sua vida teve seis filhos, 20 netos e nove bisnetos.
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EUA SÓ RETIRARAM 'MADIBA' DE LISTA 'NEGRA EM 2008
O antigo Presidente sul-africano Nelson Mandela, que morreu na quinta-feira, teve que esperar até 2008 para ser retirado da lista de vigilância a terroristas dos EUA, terminando com o que as autoridades norte-americanas consideravam uma "questão embaraçosa".
Nelson Mandela tinha deixado há anos as celas da prisão sul-africana onde esteve durante 27 anos e cumprido o seu mandato presidencial, mas os EUA ainda o mantinham numa lista negra, apesar do estatuto de um dos estadistas mais respeitados do Mundo que tinha conquistado, após se ter tornado no primeiro Presidente negro da África do Sul.
Até há cinco anos, Mandela e os outros líderes do Congresso Nacional Africano estavam na lista de vigilância de terroristas devido à sua luta armada contra o regime ‘apartheid'.
Quando o nome de Mandela foi retirado, o então senador, e atual secretário de Estado norte-americano, John Kerry, manifestou-se satisfeito pela decisão porque considerava que o líder histórico sul-africano "não tinha lugar na lista" que impedia, por exemplo, a sua entrada nos EUA.
Agora, a América rende-se à figura internacional de Nelson Mandela, e Barack Obama, o primeiro Presidente negro dos EUA, decretou luto até segunda-feira e prestou homenagem a Mandela como uma figura ímpar da História da Humanidade.
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