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Nanopartícula desenvolvida em Espanha pode abrir um caminho contra o cancro

Estudo nota que ao ser possível restaurar a comunicação entre células imunitárias e as tumorais, permite às primeiras reconhecerem e eliminarem as células tumorais.

04 de abril de 2026 às 11:22

Uma nanopartícula desenvolvida na Universidade Politécnica de Valência pode abrir um novo caminho no tratamento contra o cancro, ao restaurar a comunicação entre células tumorais e imunitárias.

O estudo, publicado na revista científica Advanced Materials, nota que ao ser possível restaurar a comunicação entre células imunitárias (glóbulos brancos) e as tumorais, permite às primeiras reconhecerem e eliminarem as células tumorais, afirmou este sábado a Universidade de Valência, em comunicado citado pela agência de notícias espanhola Efe.

Essa comunicação entre células é geralmente perdida nos tumores, devido a mecanismos de evasão imunológica, com esta nanopartícula desenvolvida em Valência a abrir uma nova via de tratamento contra o cancro, explicou.

Esta nanopartícula desenvolvida pela equipa liderada pelo investigador Ramón Martínez Máñez é inspirada nos anticorpos biespecíficos, ferramenta de imunoterapia usada para tumores relacionados com o sangue e sistema linfático, mas que apresenta desvantagens como um processo de produção complexo, eficácia limitada e efeitos colaterais adversos.

Ao invés desses anticorpos, a nanopartícula agora desenvolvida é de fácil produção, adapta-se a vários tipos de cancro e tem uma vida útil mais longa no organismo, permitindo uma maior eficácia nos tumores e menor risco de efeitos colaterais, afirmou a Universidade Politécnica de Valência.

Estas nanopartículas, com duas faces que possuem propriedades físicas ou químicas diferentes (tal como os anticorpos biespecíficos), conseguem permanecer na célula tumoral e exibir a sua outra face aos glóbulos brancos, atuando como uma ponte que facilita a morte da célula cancerígena.

"Essa eficácia superior pode ser atribuída à sua capacidade de restaurar a comunicação entre o sistema imunológico e o tumor", explicou o investigador Ramón Martínez Máñez.

De acordo com a equipa de investigação, embora o estudo se tenha concentrado em melanomas metastáticos, a tecnologia poderá ser facilmente adaptada a outro tipo de tumores sólidos ou hematológicos (relacionados com o sangue, medula e sistema linfático).

A equipa da Universidade Politécnica de Valência está a trabalhar na validação da tecnologia para o tratamento de tumores sólidos mais complexos, em que a imunoterapia apresenta resultados limitados.

"Estas nanopartículas exibem maior estabilidade e capacidade de se concentrarem em áreas tumorais, e espera-se que alcancem bons resultados nos tumores mais desafiantes", explicaram os investigadores.

De acordo com a Universidade, além da ponte que estabelece entre células, a nanopartícula também pode carregar fármacos, combinando diferentes estratégias de terapêutica num único sistema.

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