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"Noiva do Daesh" diz que está disposta a "mudar" para manter a nacionalidade britânica

Shamima Begum juntou-se ao Daesh quando tinha 15 anos.
22 de Fevereiro de 2019 às 15:55
'Noiva do Daesh'
'Noiva do Daesh'
'Noiva do Daesh'
'Noiva do Daesh'
'Noiva do Daesh'
'Noiva do Daesh'

A "noiva do Daesh", Shamima Begum, que se juntou ao autoproclamado Daesh e que agora quer regressar ao Reino Unido com o seu filho recém-nascido, garantiu que está "disposta a mudar" e pediu ao governo do país para lhe mostrarem "misericórdia", depois do secretário do secretário do Interior ter retirado a sua nacionalidade britânica na terça-feira passada.

A britânica de 19 anos, que viajou de Londres para a Síria para se juntar aos jihadistas em 2015, quer sair do país árabe e alega que o seu filho recém-nascido não está bem de saúde. Begum já afirmou que não quer que o bebé vá para o Reino Unido sem ela, apesar de a sua família estar de momento a explorar medidas legais para trazer o bebé para Londres, avança a Sábado.

Questionada sobre se tinha alguma coisa a dizer aos políticos em Westminster, Begum disse à Sky News que gostaria que estes reavaliassem o seu caso "com um pouco mais de compaixão no coração" e acrescenta que está com dificuldades em "reunir os mantimentos que necessita", referindo-se a uma aparente falta de recursos no campo de refugiados a norte da Síria onde se encontra. Este local tem sido a sua casa desde que fugiu do Reino Unido.

A família da britânica, provinda do Bangladesh, escreveu diretamente ao secretário do Interior britânico Sajid Javid, a quem pediram para ajudá-los a trazer o bebé para o território inglês. Apesar de, segunda a irmã de Begum, os familiares não terem contacto com a jovem desde que esta saiu do país, admitiram que querem ajudá-la a contestar a decisão do governo de lhe ter retirado a nacionalidade britânica. "Nós descobrimos a partir de notícias, tal como o resto da nação, que ela deu à luz um bebé", conta ao The Guardian.

"Estamos satisfeitos por saber que os políticos reconhecem o meu sobrinho, o filho de Shamima, como um cidadão britânico", continuou a irmã mais velha da "noiva do Daesh". "Como uma família, pedimos-vos para nos ajudarem a trazer o meu sobrinho para casa. No meio disto tudo, ele é o único inocente e não deveria perder o privilégio de ser criado na segurança deste país", escreveu na carta.

A família também se mostrou "chocada e revoltada com os comentários vis" que Begum teceu nos últimos dias, referindo-se à declaração da britânica de ter considerado o atentado de 2017 durante o concerto de Ariana Grande em Manchester, Inglaterra, "justificado".

Líder Partido Trabalhista defende que Begum tem o "direito de regressar" ao Reino Unido

Jeremy Corbyn criticou a decisão do governo de retirar a nacionalidade britânica a Shamima Begum, declarando que esta tem o "direito de regressar" ao país e ser sujeita a interrogatórios para se determinar a possibilidade de ser reabilitada.

Nas declarações efetuadas na quinta-feira, o líder trabalhista considerou que as ações de Sajid Javid foram "muito extremas" , principalmente após o governo de Bangladesh ter negado a cidadania a Begum.

"Ela obviamente tem, na minha opinião, o direito de voltar para o Reino Unido", disse Corbyn à ITV News. "Penso que a ideia de retirar a nacionalidade a alguém que nasceu no país é uma manobra muito extrema", afirmou, insistindo que deixar um indivíduo sem estado – que é ilegal sob a lei internacional – era algo que nunca faria.

Diane Abbott, secretária do Interior do Partido Trabalhista, acrescentou que apesar de ser razoável suspeitar que a britânica cometeu ou facilitou atos de terrorismo, sugerir deixar Begum sem cidadania é contra os direitos humanos internacionais e uma falha em cumprir as obrigações com a comunidade internacional.

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