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Correio da Manhã

Mundo
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O sexo e a política

O sexo e a política nunca se entenderam. Uma aventura sexual, consentida ou não, e desde que entre no domínio público, arruína a carreira política dos seus autores.
Francisco Moita Flores 3 de Julho de 2011 às 00:30
O sexo e a política
O sexo e a política

Em Portugal, mesmo com a censura a atravessar um dos períodos mais ferozes, não foi possível abafar o escândalo Ballet Rose que atirou para a fogueira as expectativas políticas de gradas figuras do regime de então. Bill Clinton safou-se por uma unha negra de ver o mandato presidencial feito em farrapos e, por esse mundo fora, são inúmeros os casos de políticos obrigados a desistir de outros voos graças às aventuras e desventuras sexuais.

Desta vez, a coisa foi uma espécie de bomba de hidrogénio. Um dos homens mais poderosos do mundo, director do FMI, potencial candidato do PS francês às eleições para a presidência, foi preso numa acção espectacular da polícia nova-iorquina que o agarrou já dentro do avião que o retiraria dos EUA. A acusação era, e é, de tentativa de violação de uma empregada do hotel onde estivera hospedado em Nova Iorque. A notícia deixou a França em estado de choque e o mundo inteiro surpreendido. Strauss-Kahn, poderoso líder do FMI, surgia nas notícias como perigoso criminoso sem escrúpulos morais. Aliás, foi pretexto para a eurodeputada Ana Gomes produzir uma das mais miseráveis declarações sobre Paulo Portas, de forma tão gratuita e brutal que só o ressabiamento político e pessoal podem explicar.

O noticiário francês, que acompanho com regularidade, desde cedo admitiu que o caso era mais do que a aparência com que se revelava. Escreveu-se sobre a possibilidade de cilada política. Porém, dominava a ideia de chantagem ou coacção sobre o político-financeiro, conhecido por ser fraco perante as tentações sexuais e tão facilmente seduzido que, mesmo em risco, a libido falava mais alto que o recato.

Agora, de repente, o caso deu uma reviravolta espectacular. E nem chegou a ser uma manobra da defesa de Strauss-Kahn. O próprio Estado americano, através do seu Ministério Público, vem a descobrir que a empregada era um pouco mais do que uma infeliz imigrada. Apanhada em escutas telefónicas com o namorado preso por tráfico de estupefacientes, vem a saber-se que o caso de violação terá dissimulado um negócio para limpar uns milhões ao imprudente candidato presidencial. Strauss-Kahn foi posto em liberdade. Porém, a aventura custou-lhe a vida política. Moral da história: os juros que Strauss-Kahn paga por esta aventura são maiores do que os que Portugal paga ao FMI pela crise. O nosso país, ao menos, ainda tem esperança para sobreviver. E com algum desejo sexual, se Deus, Nosso Senhor, nos ajudar.

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