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ONU alerta para fase crítica no Haiti após aumento de quase 20% dos homicídios em 2025

Chefe do Escritório das Nações Unidas no Haiti, Carlos Ruiz Massieu, admitiu ter grandes expectativas de progresso na trajetória política e de segurança do país para este ano.

21 de janeiro de 2026 às 22:17

Os homicídios no Haiti aumentaram quase 20% em 2025, indicou esta quarta-feira a ONU, que alertou que o país atravessa uma fase crítica no processo de restauração das instituições democráticas, instando as autoridades a priorizar o interesse nacional.

Numa reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre situação no Haiti, um dos países mais pobres da América Latina e que enfrenta uma grave crise de segurança, o chefe do Escritório das Nações Unidas no Haiti (Binuh), Carlos Ruiz Massieu, admitiu ter grandes expectativas de progresso na trajetória política e de segurança do país para este ano.

Para alcançar este objetivo, as responsabilidades políticas devem ser assumidas, os esforços de segurança devem ser sustentados e o envolvimento internacional deve manter-se focado e coerente, defendeu Massieu.

"O Haiti entrou numa fase crítica do seu processo de restauração das instituições democráticas. A transição atual terminará a 07 de fevereiro de 2026. É imperativo que os atores nacionais se esforcem por conter a fragmentação política, ponham de lado as suas diferenças, preservem a continuidade institucional e se concentrem na organização das eleições", apelou.

"Que fique claro: o tempo das manobras políticas acabou", frisou o representante da ONU.

A situação, insistiu Massieu, exige que as autoridades, as instituições estatais, os partidos políticos, a sociedade civil, o setor privado e os líderes religiosos e comunitários priorizam o interesse nacional e atuem com responsabilidade e moderação, de forma a avançar para eleições ainda este ano.

Focando-se na insegurança que assola o país, o chefe da Binuh explicou que os gangues continuam a demonstrar capacidade de realizar ataques coordenados e de exercer controlo sobre corredores económicos e regiões agrícolas importantes, forçar deslocações, sobrecarregar a capacidade de resposta humanitária e levar os recursos policiais ao limite.

"Os homicídios intencionais em 2025 aumentaram em quase 20% em comparação (...) com 2024", avançou.

O Haiti é considerado um dos países mais pobres da América Latina e atualmente vive uma grande crise social, política, económica e sobretudo de segurança, nomeadamente devido à ação de gangues criminosos.

No final de setembro, o Conselho de Segurança da ONU aprovou a transformação da Missão de Apoio Multinacional à Segurança no Haiti numa "Força de Supressão de Gangues" por um período inicial de 12 meses.

Carlos Ruiz Massieu anunciou esta quarta-feira que a pressão sobre os gangues tem produzido resultados, levando à recuperação de territórios e interrupção da atividade de gangues.

Em algumas partes da capital, Porto Príncipe, assim como no Departamento de Artibonite, na região central, as operações policiais, apoiadas pela Força de Supressão de Gangues, levaram à reabertura de algumas redes rodoviárias.

No coração da capital, são visíveis melhorias limitadas, segundo a ONU, que destacou que a presença estatal em redor do Champ de Mars, onde se encontram o Palácio Nacional e vários Ministérios importantes, está a ser gradualmente restaurada.

"O desafio reside agora em expandir e sustentar os ganhos em segurança", destacou Massieu.

Na reunião esteve também presente o diretor-executivo interino do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc), John Brandolino, que apresentou dados sobre as fontes e rotas de armas ilegais e fluxos financeiros ilícitos que financiam o crime no Haiti.

De acordo com Bandolino, as conclusões apontam para uma crise que se tornou mais violenta, mais sistémica e mais enraizada no país, explicando que no centro desta evolução está uma profunda transformação da segurança do Haiti.

Grupos que antes operavam como gangues locais fragmentados ou forças de vigilantes reorganizaram-se em redes criminosas estruturadas com lideranças definidas, ambições territoriais e fontes de receita diversificadas.

Como resultado, os grupos armados obtiveram um controlo quase total quer em Porto Príncipe, quer ao longo de importantes corredores de acesso a Artibonite e ao Planalto Central.

Para financiar essas operações, a extorsão tornou-se uma importante fonte de receitas, a par dos rendimentos ilícitos gerados pelo tráfico de estupefacientes, armas e munições.

Na reunião de esta quarta-feira, os Estados Unidos declararam que "permanecem implacáveis na perseguição daqueles que minam a segurança haitiana e armam ou financiam grupos terroristas" e garantiu que ampliará mais sanções financeiras e outras restrições à imigração para combater a "impunidade endémica que rouba o futuro das crianças haitianas".

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