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ONU alerta para recrutamento de menores e infiltração de narcotráfico em portos europeus

Portos de Antuérpia (Bélgica) e Roterdão (Países Baixos) concentraram o maior número de apreensões, revelando-se pontos de entrada fundamentais para grandes contentores de cocaína.

26 de fevereiro de 2026 às 12:22

A infiltração do narcotráfico na logística dos portos e o recrutamento de menores são as principais preocupações da ONU quanto à expansão do mercado de drogas na Europa, que movimenta anualmente 31.000 milhões de euros.

No relatório anual da Junta Internacional de Fiscalização de Estupefacientes (JIFE), publicado esta quinta-feira em Viena, a Europa é descrita como um mercado rentável e complexo, que produz, importa e redistribui substâncias ilícitas.

O valor do mercado de drogas na União Europeia (UE) fixou-se em cerca de 31.000 milhões de euros em 2021, segundo a estimativa mais recente citada pela JIFE, organismo que zela pelo cumprimento dos tratados internacionais.

Os lucros de milionários alimentam uma competição feroz entre organizações criminosas, resultando no aumento da corrupção, violência e branqueamento de capitais, segundo a JIFE, citada pela agência de notícias espanhola EFE.

"Entre janeiro de 2019 e junho de 2024, foram apreendidas mais de 1.826 toneladas de drogas em portos marítimos europeus ou com destino a eles, e a cocaína representou 82% (1.487 toneladas) desse volume", disse o organismo.

Os portos de Antuérpia (Bélgica) e Roterdão (Países Baixos) concentraram o maior número de apreensões, revelando-se pontos de entrada fundamentais para grandes contentores de cocaína.

A JIFE alertou para indícios de infiltração nos serviços logísticos portuários, elevando o risco de corrupção em que a economia legal se cruza com fluxos ilegais.

Para contornar a vigilância nos grandes centros, os traficantes têm diversificado as rotas, utilizando portos secundários mais pequenos.

Outro indicador que a JIFE considerou como "especialmente preocupante" é o aumento do recrutamento de menores por redes criminosas para o tráfico e fabrico de drogas.

O organismo descreveu ainda a produção interna europeia como "muito difundida", especialmente no caso da canábis.

Alertou também para a expansão das drogas sintéticas, com laboratórios de dimensão industrial a abastecerem o mercado interno e a exportação.

Embora o fentanilo tenha um impacto reduzido na Europa, a JIFE alertou para outros opioides sintéticos mais potentes, como os nitazenos.

A elevada potência destas substâncias sintéticas, até 30 vezes mais fortes que o fentanilo, aumenta o risco de 'overdose' com quantidades muito pequenas e a sua expansão afeta especialmente os países bálticos (Estónia, Letónia e Lituânia), acrescentou.

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