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Operação anti-corrupção prende amigos e assessores de Temer

José Yunes e João Batista Lima Sobrinho, dois dos principais assessores informais do presidente, estão entre os detidos.

29 de março de 2018 às 16:05

Uma grande operação contra a corrupção desencadeada ao amanhecer desta quinta-feira pela Polícia Federal em diversas cidades do Brasil prendeu várias pessoas muito próximas ao presidente do país, Michel Temer. Dois dos presos, o advogado José Yunes e o coronel João Batista Lima Sobrinho, são considerados os dois principais assessores informais do presidente, de quem são amigos pessoais há décadas e com o qual se encontram praticamente todas as semanas.

José Yunes, que até há um ano era o principal assessor presidencial e foi forçado a demitir-se após ter tido o seu nome ligado ao recebimento de milhões em "luvas" supostamente destinadas a Temer, foi preso em casa, em São Paulo. O coronel Lima Sobrinho, considerado pela Polícia Federal como "testa-de-ferro" de Temer para assuntos comprometedores e que também foi preso em casa na capital paulista, vinha há quase dois anos recusando comparecer às audiências para as quais foi intimado alegando problemas de saúde.

Outro preso muito próximo a Michel Temer foi Wagner Rossi, ex-ministro da Agricultura indicado pelo hoje presidente brasileiro. Rossi, preso esta manhã em Brasília, é pai do deputado Baleia Rossi, líder do governo Temer na Câmara dos Deputados.

A operação desta quinta-feira tem relação directa com suposto favorecimento por um decreto de Temer assinado no ano passado a um grupo empresarial que controla as actividades no porto de Santos, o maior do Brasil. Temer, segundo a Polícia Federal e o MinistérioPúblico, terá alterado o decreto inicial de concessão do porto à iniciativa privada para favorecer a empresa Rodrimar, cujo dono, António Celso Grecco, também foi preso esta quinta-feira, na cidade de Monte Alegre do Sul, no interior de São Paulo.

O suposto negócio ilegal que terá culminado com a modificação do decreto para favorecer a Rodrimar terá sido intermediado pelo então principal assessor presidencial Rodrigo Rocha Loures, que sucedeu a José Yunes na assessoria do palácio presidencial e também acabou nas garras da justiça e se encontra preso até hoje. Loures foi o homem flagrado no ano passado pela Polícia Federal a sair a correr de uma pizzaria em São Paulo carregando uma mala cheia de dinheiro vivo.

Esse dinheiro seriam supostas "luvas" destinadas ao próprio Temer e pagas pela empresa JBS, líder mundial na producção de proteína animal, cujo dono, Joesley Batista, confirmou o pagamento num outro processo contra o chefe de Estado. Esse flagrante e a confissão de Joesley acarretaram uma denúncia formal por corrupção contra Temer feita pela Procuradoria-Geral da República, mas a tramitação na justiça foi suspensa em Agosto passado pelo Congresso após o governo disponibilizar milhares de milhões de euros em verbas para projectos e obras de parlamentares.

De acordo com informações preliminares da Polícia Federal, que afirmou estar proibida pelo Supremo Tribunal de divulgar detalhes, a operação desta quinta-feira poderia ter mais desenvolvimentos ao longo do dia e mais pessoas poderiam ser presas. A operação foi autorizada pelo juiz Luís Roberto Barroso, responsável no Supremo Tribunal pelo processo que investiga Temer na questão dos portos, e que aliados do presidente estão a tentar expulsar do tribunal através de um pedido de impeachment contra o magistrado no Congresso.

A operação desta quinta-feira pode ter sido a pá de cal no projecto de Michel Temer de se reeleger nas presidenciais de Outubro e, reeleito, manter a imunidade aos processos que enfrenta na justiça. Com ínfimos 1% a 2% das intenções de voto, segundo as sondagens mais recentes, a quase impossível missão de Temer de se tornar inesperadamente popular e continuar presidente podem ter ido totalmente por água abaixo agora, com tantas pessoas próximas a ele sendo presas por corrupção, o que, em menor ou maior grau, vai atingi-lo novamente.

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