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Correio da Manhã

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Os riscos de quem se despe na Internet a troco de milhares de euros

Não têm horários, não têm patrões e num bom mês conseguem ganhar mais de cinco mil euros.
Iúri Martins e Daniela Vilar Santos(danielasantos@cmjornal.pt) 28 de Junho de 2019 às 10:13
Hope Barden, jovem de 21 anos que morreu asfixiada durante uma atuação para um cliente
Hope Barden, jovem de 21 anos que morreu asfixiada durante uma atuação para um cliente
Hope Barden, jovem de 21 anos que morreu asfixiada durante uma atuação para um cliente
Hope Barden, jovem de 21 anos que morreu asfixiada durante uma atuação para um cliente
Hope Barden, jovem de 21 anos que morreu asfixiada durante uma atuação para um cliente
Hope Barden, jovem de 21 anos que morreu asfixiada durante uma atuação para um cliente
Hope Barden, jovem de 21 anos que morreu asfixiada durante uma atuação para um cliente
Hope Barden, jovem de 21 anos que morreu asfixiada durante uma atuação para um cliente
Hope Barden, jovem de 21 anos que morreu asfixiada durante uma atuação para um cliente
O sorriso que Hope Barden, uma jovem de 21 anos, partilhava a cada imagem que divulgava nas redes sociais escondia um modo de vida perigoso e cada vez mais usual entre os jovens. A busca por uma vida melhor levou-a a expor o seu corpo em frente a uma webcam para atuações de strip e espetáculos de sexo privado, pagos por cada um dos que se interessassem pela sua imagem.

Durante cerca de três meses, Hope Barden foi a "favorita" de um cliente que a obrigava a interpretar uma personagem "depravada", cujas atuações se foram tornando cada vez mais sombrias e arriscadas.

Jerome Dangar, dono de um pub, levou a jovem de 21 anos ao limite e, em março de 2018, Hope Barden foi encontrada em casa, já sem vida, depois de se ter asfixiado enquanto atuava para o homem. Dangar nada fez para socorrer a jovem, não ligou ao 999 (Número de emergência do Reino Unido).

Antes que fosse acusado de qualquer crime por negligência, Dangar, que tinha sido preso por um outro crime, acabou por se suicidar na prisão.

"Num bom mês, consigo ganhar cerca de cinco mil libras"
Boore tinha apenas 19 anos quando se iniciou na industria das 'cam girls'. "Era jovem, estava fresca e só queria agradar", conta a jovem ao jornal Mirror.

A história da morte de Hope Barden reavivou na memória de Boore todos os episódios arriscados que passou com clientes menos "normais".

"Em média recebo cerca de 300 chamadas por dia. Cerca de 20 são de depravados que se sentem realizados sexualmente com espetáculos sexuais perigosos ou fetishes degradantes", conta a jovem.

"Tive homens a pedir para me queimar com cigarros. Chamaram-me nomes que eu nunca irei repetir", acrescenta ao mesmo jornal.

O mundo obscuro daquelas e daqueles que se despem perante uma webcam é um autêntica incógnita onde nunca se sabe quem vai estar do lado de lá do ecrã.

"Estamos sozinhas, não temos patrões nem departamentos de recursos humanos", reforça. 

Nada obriga estas jovens a despir-se perante o Mundo, no entanto, o dinheiro que recebem por cada espetáculo torna o negócio cada vez mais atrativo.

"Num bom mês, consigo ganhar cerca de cinco mil libras (aproximadamente 5.591,09 euros)", explica, acrescentando que tem "controlo total dos horários" e que é a sua própria "chefe".

A jovem cobra três libras (pouco mais de três euros) por minuto por espetáculos em grupo e cinco libras (pouco mais de cinco euros) por espetáculos privados. A maior parte dos trabalhos envolve strip, conversas depravadas e masturbação.

"Todas as chamadas de vídeos são diferentes e aprendo a lidar com as situações mais dificeis", diz Steph.

A falta de segurança não assusta Steph Boore mas já levou ao limite milhares de jovens, raparigas e rapazes, um pouco por todo o mundo. O fim trágico de Hope Barden, rapariga de 21 anos, é só um dos exemplos dos riscos de quem se despe na Internet a troco de milhares de euros por mês.
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