Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
9

Pais obrigam filha a viver como um menino desde os dois anos

Mangal esconde o cabelo comprido dentro de um gorro e ajuda o pai a cuidar da fazenda na aldeia de Sanjoor, no Afeganistão.
19 de Junho de 2019 às 01:12
Pais obrigam filha a viver como um menino desde os dois anos
Pais obrigam filha a viver como um menino desde os dois anos
Pais obrigam filha a viver como um menino desde os dois anos
Pais obrigam filha a viver como um menino desde os dois anos
Pais obrigam filha a viver como um menino desde os dois anos
Pais obrigam filha a viver como um menino desde os dois anos

Mangal Karimy, de 13 anos, é uma menina que vive numa pequena aldeia no oeste do Afeganistão. Até aos dois anos, Mangal era Madina, uma das sete filhas escolhidas pelos pais para viver como um menino devido a uma tradição afegã.

Depois de ter duas meninas, os pais de Mangal ansiavam por um filho que lhes ajudasse nos trabalhos do campo e servisse comida e água enquanto o pai trabalhava no deserto.

Mangal esconde o cabelo comprido dentro de um gorro de lã e ajuda o pai a cuidar da fazenda de trigo e leite na aldeia de Sanjoor, na província de Herat, Afeganistão. 

"Eu amo todas as minhas filhas, mas amo mais Madina quando peço que vá cuidar do gado ou levar alguma coisa para um vizinho e ela vai", disse o pai ao canal norte-americano CNN.

Quando não está com o pai, ela frequenta uma escola para meninas juntamente com as suas quatro irmãs. No entanto, veste-se de rapaz e é conhecida pelo seu nome masculino.

As pessoas perceberam que a criança era, na verdade, uma menina vestida de rapaz, e "meio que concordaram com isso", disse Hashimi, a mãe.

Alguns pais alegam que a família tentava esconder que tinha uma menina, uma vez que um filho é uma fonte de orgulho, enquanto "ter uma filha é uma vergonha" disseram.

A menina, que se viu obrigada a mudar de identidade pelos progenitores, disse ao canal norte-americano CNN que atualmente prefere ser mencionada pela sua identidade masculina, no entanto gostava de voltar a ser uma menina no futuro.  

De acordo com Sodaba Ehrari, editora-chefe da Agência de Notícias das Mulheres do Afeganistão (AWNA), que entrevistou vários pais de crianças, as mulheres "não podem ganhar dinheiro para sustentar as suas famílias e não podem viver sozinhas".

Esta transição temporária é frequente na comunidade afegã e normalmente as crianças devem abandonar as suas identidades masculinas quando chegam à puberdade. Algo que nem sempre é fácil.

Na economia agrícola do Afeganistão, são os rapazes que cortam madeira, tratam dos campos e viajam independentemente. Por outro lado, espera-se que as raparigas ajudem apenas nas tarefas domésticas e sejam mais "recatadas".  

Normalmente, os filhos são altamente valorizados em relação às filhas, ao ponto de uma família ser considerada incompleta sem um rapaz.

Afeganistão CNN Agência de Notícias das Mulheres do Afeganistão AWNA Karimy Mangal
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)