"Devido ao tamanho do volume da dívida de África, os seus líderes não vão ter grande escolha a não ser aceitar as exigências dos credores", consideram analistas.
A consultora NKC African Economics salientou este sábado que a canalização dos Direitos Especiais de Saque (DES) dos países mais desenvolvidos para os países mais pobres vai implicar condicionalismos que os países em dificuldades não podem recusar.
"Devido ao tamanho do volume da dívida de África, os seus líderes não vão ter grande escolha a não ser aceitar as exigências dos credores, e uma questão chave para o futuro será quais vão ser essas condições", consideram os analistas desta filial africana da consultora britânica Oxford Economics.
Num comentário às conclusões da cimeira de Paris sobre o financiamento das economias africanas, a NKC African Economics escreve que "a ideia de Emmanuel Macron sobre os países ricos canalizarem as suas alocações de DES para os países mais pobres é interessante, e deverá acontecer de forma direcionada, com condições" impostas pelos países mais desenvolvidos.
No entender da NKC, a emissão de DES, no valor de 650 mil milhões de dólares, cerca de 550 mil milhões de euros, "deverá mesmo acontecer e o espaço de manobra que será dado aos países africanos vai, em muitos casos mas não todos, desbloquear empréstimos e investimentos de outras instituições financeiras internacionais e do setor privado, o que é positivo" para as economias africanas.
Na terça-feira, a França organizou em Paris a cimeira que reuniu mais de 30 chefes de Estado africanos e europeus, colocando-se na linha da frente dos países avançados que tentam ajudar os africanos a resolverem a crise da dívida, que tem dificultado o crescimento das economias.
O Presidente francês defendeu que os países africanos podiam receber o triplo do que lhes cabe da emissão de DES do FMI se as nações ricas seguissem o exemplo da França.
"Decidimos trabalhar em conjunto nas próximas semanas para alcançar um acordo político, porque precisamos de mais do que triplicar o envelope natural e atribuído de forma mecânica que cabe a África", disse Emmanuel Macron durante a conferência de imprensa de encerramento da cimeira de Paris sobre o financiamento das economias africanas, na terça-feira.
A emissão de DES do Fundo Monetário Internacional (FMI), no valor de 650 mil milhões de dólares, equivalentes a cerca de 550 mil milhões de euros, reserva 33 mil milhões de dólares (27 mil mil milhões de euros) para os países africanos, mas perante uma dívida a rondar os 700 mil milhões de dólares, à volta de 570 mil milhões de euros, o valor é insuficiente.
"Se outros países seguirem o que nos comprometemos a fazer, vamos chegar a 100 mil milhões de dólares [81 mil milhões de euros] para África em DES, podia ser muito mais, mas isto é que o que é razoável e fazível, e pode subir dependendo de outros grandes acionistas do FMI, como os Estados Unidos", disse Macron, reconhecendo que o valor atual não é suficiente.
"Os 33 mil milhões de dólares que cabem a África não são suficientes, deviam evoluir para muito mais e para chegar aos quase 300 mil milhões de dólares [que o FMI diz ser necessário para compensar as perdas da pandemia] a nossa vontade é que seja vendida uma parte das reservas de ouro do FMI, que nos permitiria ir mais longe na ajuda ao continente", salientou o chefe de Estado francês em resposta a uma pergunta dos jornalistas, no final da conferência de imprensa.
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