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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Papa Francisco adia viagem a Portugal. Jornada Mundial da Juventude em Lisboa adiada para 2023

Em causa está a crise provocada pela pandemia de covid-19.

20 de abril de 2020 às 16:38

O Vaticano anunciou esta segunda-feira que a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) que vai decorrer em Lisboa foi adiada para agosto de 2023, por causa da crise provocada pela pandemia de covid-19. O maior evento organizado pela Igreja Católica estava agendado para 2022, em Lisboa, com a presença do Papa Francisco e com o tema "Maria levantou-se e partiu apressadamente", seria um acontecimento nunca visto em Portugal com um custo acima de 50 milhões de euros.

O diretor da sala de imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, justifica a decisão com a "atual situação sanitária e as suas consequências sobre a deslocação e a aglomeração de jovens e famílias", segundo avança Agência Ecclesia.

A decisão, tomada pelo Papa com o Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida (Santa Sé), abrange ainda o adiamento da Jornada Mundial da Família, que iria decorrer em Roma.

"A urgência e o foco é pandemia. E temos de ter consciência disso, todos. A urgência a que somos chamados como povo, como humanidade, como Igreja, como Nação, é tratarmos da questão da pandemia. Tudo o resto passou para segundo lugar. Mas não precisamos de desligar, vamos entrar em hibernação", referiu.

Recentemente e também devido à pandemia, a cerimónia de passagem dos símbolos da Jornada Mundial da Juventude do Panamá para Portugal, prevista para 05 de abril, foi adiada para novembro.

Para a angariação de fundos e gestão dos fundos associados ao evento foi criada a Fundação Jornada Mundial da Juventude.

A organização da Jornada Mundial da Juventude tem uma sede provisória em São Vicente de Fora, no concelho de Lisboa, e o cardeal patriarca de Lisboa disse em novembro de 2019 esperar que o evento possa ter o mesmo impacto no desenvolvimento da zona entre os municípios de Lisboa e Loures (onde vai decorrer) que a Expo 98 teve no local onde hoje se situa o Parque das Nações.

A nível global, segundo um balanço da AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 165 mil mortos e infetou quase 2,5 milhões de pessoas em 193 países e territórios.

Mais de 537 mil doentes foram considerados curados.

Em Portugal, morreram 735 pessoas das 20.863 registadas como infetadas, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Para combater a pandemia, os governos mandaram para casa 4,5 mil milhões de pessoas (mais de metade da população do planeta), encerraram o comércio não essencial e reduziram drasticamente o tráfego aéreo, paralisando setores inteiros da economia mundial.

Face a uma diminuição de novos doentes em cuidados intensivos e de contágios, alguns países começaram entretanto a desenvolver planos de redução do confinamento e em alguns casos, como Dinamarca, Áustria ou Espanha, a aliviar algumas das medidas.

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