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PCP acusa Governo português de tentar legitimar as ações dos EUA na Venezuela

Comunistas descrevem como "deplorável" o posicionamento de Portugal face à intervenção norte-americana no país.

05 de janeiro de 2026 às 22:58

O PCP acusou esta segunda-feira o Governo português de tentar legitimar as ações norte-americanas na Venezuela e condenou o que considera ser uma tentativa do Presidente norte-americano, Donald Trump, de "impor um governo fantoche" no país.

"O PCP denuncia o deplorável posicionamento assumido pelo Governo português, que não só não condena a agressão dos Estados Unidos (EUA) à República Bolivariana da Venezuela e sequestro do seu Presidente, Nicolás Maduro, como vergonhosamente tenta legitimá-la, tornando-se cúmplice desta flagrante violação do direito internacional", afirmou o Partido Comunista Português em comunicado.

Os comunistas portugueses consideram que defender os interesses e a segurança da comunidade portuguesa na Venezuela não deve ser o mesmo que "branquear e alinhar com a imposição de um desumano bloqueio económico, o roubo de ativos, a ingerência, a desestabilização e a agressão a este país latino-americano por sucessivas administrações dos EUA".

Para o PCP, o posicionamento português "confirma a natureza de um Governo disponível para vender o interesse nacional".

O PCP condenou igualmente os "inaceitáveis intentos da Administração Trump de impor um governo fantoche na Venezuela", com vista a garantir "a apropriação por parte das multinacionais petrolíferas norte-americanas dos recursos" da Venezuela.

As ameaças de Trump contra países como a Venezuela, Cuba, Colômbia ou o México também mereceram uma condenação por parte do PCP, que acusou ainda a administração norte-americana de "impor o seu domínio político e económico sobre todo o continente americano, para explorar e saquear os recursos naturais".

Os Estados Unidos lançaram no sábado "um ataque em grande escala contra a Venezuela" para capturar e julgar o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e a mulher, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder.

Maduro e a mulher prestaram esta segunda-feira breves declarações num tribunal de Nova Iorque para responder às alegadas acusações de corrupção, branqueamento de capitais e tráfico de droga e ambos declararam-se inocentes. A próxima audiência está marcada para 17 de março.

A vice-presidente executiva Delcy Rodríguez assumiu a presidência interina do país com o apoio das Forças Armadas.

A comunidade internacional dividiu-se entre a condenação ao ataque dos Estados Unidos a Caracas e saudações pela queda de Maduro e o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que a ação militar dos EUA poderá ter "implicações preocupantes" para a região, mostrando-se preocupado com a possível "intensificação da instabilidade interna" na Venezuela.

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