page view

Pelo menos 531 pessoas deslocadas após novo ataque rebelde em Moçambique

Entre os deslocados do distrito de Balama encontram-se 178 mulheres e 204 crianças, que representam 38% do total da população afetada.

02 de setembro de 2026 às 12:47

Pelo menos 531 pessoas, incluindo 204 crianças, foram deslocadas na sequência de um ataque armado registado em agosto no distrito de Balama, na província moçambicana de Cabo Delgado, segundo dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM).

No seu mais recente relatório da ferramenta de monitorização de deslocamentos, divulgado esta quarta-feira, a OIM refere que, em 22 de agosto de 2026, ataques relatados no distrito de Balama desencadearam deslocações para comunidades de acolhimento no posto administrativo de Mavala, desde a aldeia de Messalo até à aldeia de Nseue B, na localidade de Mpak.

De acordo com o documento, os ataques e o receio de novos incidentes de violência em Balama provocaram a deslocação de 531 pessoas, correspondentes a 79 agregados familiares naquela província. Entre os deslocados, segundo a OIM, encontram-se 149 homens, 178 mulheres e 204 crianças, que representam 38% do total da população afetada.

O levantamento no terreno identificou ainda 24 idosos com mais de 60 anos e oito pessoas com deficiência entre os deslocados.

A província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, enfrenta uma insurgência armada desde outubro de 2017, conflito que já provocou mais de 6.600 mortos e mais de 1,2 milhões de deslocados, constituindo uma das mais graves crises humanitárias da África Austral, segundo organizações internacionais.

No terreno, a OIM identificou que as necessidades mais urgentes apontadas pelas comunidades afetadas são alimentação, abrigo e proteção. Os dados recolhidos pela Matriz de Monitorização de Deslocamentos (DTM) indicam ainda que o distrito de Balama tem registado deslocamentos localizados ao longo dos últimos meses, associados ao aumento da atividade de grupos armados não estatais e a ataques contra posições remotas da região.

A OIM sublinha que continua a monitorizar a situação no terreno através da sua ferramenta de rastreio de deslocamentos, destinada a fornecer informação rápida para apoiar a resposta humanitária às populações afetadas pela violência.

Segundo dados divulgados anteriormente pelo Armed Conflict Location & Event Data Project (ACLED), foram registados 2.408 eventos violentos desde o início do conflito naquela província do norte de Moçambique, dos quais 2.224 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM), provocando mais de 6.600 mortos.

Um relatório apresentado recentemente ao Conselho de Segurança da ONU concluiu que o grupo armado aumentou para entre 400 e 500 combatentes, intensificou o recrutamento e apresenta sinais de expansão para os distritos do sul de Cabo Delgado, apesar da pressão militar no terreno.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Boa Tarde

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a sua rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8