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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Piloto acusado de realizar centenas de voos comerciais sem licença durante anos no Canadá

Arguido, Geoffrey Wall, de 59 anos, trabalhou para a maior companhia aérea do país, a Air Canada, a partir de 1998 e foi promovido a comandante em 2009.

10 de junho de 2026 às 00:59

As autoridades canadianas acusaram na terça-feira um homem de pilotar mais de 900 voos da Air Canada entre 2009 e 2025 sem a licença necessária para operar como comandante de uma linha aérea comercial.

As autoridades descreveram este caso como complexo e comparável a um guião de filme, noticiou a agência Efe.

O arguido, Geoffrey Wall, de 59 anos, trabalhou para a maior companhia aérea do país, a Air Canada, a partir de 1998 e foi promovido a comandante em 2009.

Mas, de acordo com a polícia, Wall não possuía uma licença de piloto de transporte aéreo (ATPL, na sigla em inglês), o nível de certificação exigido para os comandantes de companhias aéreas comerciais.

Wall, que foi detido em 01 de junho, apresentou credenciais alegadamente falsificadas tanto ao seu empregador como às autoridades reguladoras, de acordo com as autoridades canadianas.

Durante uma conferência de imprensa, o vice-chefe da polícia da região de Peel, Nick Milinovich, comparou o caso a "um médico de família a realizar uma cirurgia cerebral no seu consultório", acrescentando que os acontecimentos em investigação "parecem coisa de filme".

Segundo os investigadores, Wall operava há anos vários tipos de aeronaves em rotas internacionais.

A Air Canada declarou em comunicado que a segurança nunca foi comprometida, uma vez que o piloto possuía uma licença de piloto comercial válida, tinha completado toda a formação necessária e passado por avaliações regulares de aptidão física.

A empresa explicou que os seus pilotos são testados a cada seis meses e passam por um teste de voo com um examinador certificado pelo Ministério dos Transportes do Canadá a cada 12 meses.

A companhia aérea acrescentou que, assim que foi detetada a irregularidade relacionada com a licença ATPL, afastou o piloto das suas funções, informou o Ministério dos Transportes do Canadá e realizou uma auditoria interna que não revelou qualquer outro caso semelhante. Wall já não trabalha para a empresa.

O caso teve início após uma revisão regulatória das credenciais do piloto pelo Ministério dos Transportes, que levou posteriormente a uma investigação policial.

As autoridades ainda não detalharam como Wall conseguiu manter a aparência de cumprir os requisitos de certificação para pilotar voos comerciais durante mais de uma década.

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