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Primeiro-ministro cabo-verdiano diz que acusação do Ministério Público é "tentativa de golpe de Estado"

Francisco Carvalho é acusado de 14 crimes enquanto autarca.

15 de julho de 2026 às 17:05

O primeiro-ministro cabo-verdiano, Francisco Carvalho, classificou esta quarta-feira como "tentativa de golpe de Estado" a acusação do Ministério Público, divulgada na terça-feira, por 26 crimes alegadamente praticados quando presidia à Câmara da Praia.

"O que estamos a ver é uma tentativa de golpe de Estado disfarçado de oposição. Mas, enquanto alguns procuram criar crises, este governo continuará a fazer aquilo para que foi eleito, que é governar", disse esta quarta-feira o líder do Governo, em conferência de imprensa.

Questionado sobre quem responsabilizava, Francisco Carvalho disse haver "uma pergunta importante" a colocar: "onde é que essa acusação foi redigida? Em que escritório de consultoria? Respondendo a essa questão estaremos a dar um grande contributo para o fim à hipocrisia e ao cinismo que têm marcado a governação de Cabo Verde nos últimos 10 anos".

Numa declaração de abertura, o primeiro-ministro situou o contexto: "antes das eleições, muitos ouviram deste grupo radical que era preciso parar Francisco Carvalho. O povo respondeu a este 'custe o que custar' de forma clara, nas urnas. Agora, alguns parecem querer continuar essa mesma estratégia por outras vias. Quero ser igualmente claro: não o conseguirão".

O Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), a que Francisco Carvalho preside, venceu as eleições de 17 de maio com maioria absoluta no parlamento, ao cabo de dois mandatos do Movimento para a Democracia (MpD) entre 2016 e 2026.

"Eu acho que, neste momento, o que o MpD deveria estar a fazer era prestar contas ao país e esclarecer o retrocesso a que condenou Cabo Verde nos últimos 10 anos", acrescentou, em resposta a um dos jornalistas.

"Desde o meu primeiro dia como presidente da Câmara Municipal da Praia, venho sofrendo este tipo de ataque. A todos enfrentei com serenidade e determinação, vendo-os caírem por terra e assim seguirei como primeiro-ministro", disse, na sua intervenção.

Francisco Carvalho garantiu ter "absoluto respeito pela justiça", respondendo "com serenidade, transparência e total confiança de que a verdade prevalecerá".

"Mas não deixarei de denunciar qualquer tentativa de transformar a vida política nacional num clima permanente de instabilidade e suspeição", acrescentou.

O líder do Governo disse estar em causa "uma das democracias mais respeitadas, estáveis e admiráveis em África. Durante décadas, Cabo Verde conquistou o respeito do mundo pela força das suas instituições, pela maturidade do seu povo e pela forma exemplar, como sempre viveu a alternância democrática".

"Quem insiste em alimentar a instabilidade (...) enfraquece a confiança nas instituições. Afasta a estabilidade de que o país precisa e tenta alcançar, por outros caminhos, aquilo que não conseguiu conquistar pela vontade popular", disse.

Francisco Carvalho dirigiu-se aos cabo-verdianos: "depois de terem votado nas urnas positivamente o projeto Cabo Verde Para Todos, eu quero tranquilizá-los dizendo que esse é o nosso foco".

"A partir do dia 17 [sexta-feira], com o nosso programa de Governo aprovado, a nossa moção de confiança aprovada, nós vamos começar a trabalhar", acrescentou, numa alusão ao debate parlamentar que está na agenda.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) cabo-verdiana anunciou na terça-feira que o Ministério Público deduziu acusação contra o primeiro-ministro por 26 crimes alegadamente praticados quando presidia à Câmara da Praia.

Em causa está "a responsabilidade criminal de quatro arguidos", Francisco Carvalho e três vereadores, por factos ocorridos entre 2021 e 2025, acusados de falsificação de documentos públicos, abuso de poder, peculato, recebimento indevido de vantagem, violação de norma de execução orçamental, atentado contra o Estado de Direito, corrupção passiva, burla qualificada, violação de regras urbanísticas e defraudação de interesses patrimoniais públicos.

"O Ministério Público determinou o encerramento da instrução, no dia 07 de julho, deduziu acusação e requereu julgamento em processo comum ordinário, perante o Tribunal da Relação do Sotavento, em coletivo", informou a PGR.

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