Além de Lula e de Dilma, o relatório acusa do mesmo crime Aloízio Mercadante, que foi ministro da Casa Civil e da Educação.
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Em relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal, STF, e à Procuradoria-Geral da República, PGR, a Polícia Federal brasileira acusou formalmente os ex-presidentes Lula da Silva e Dilma Rousseff de atrapalhar o avanço da Operação Lava Jato, que apura corrupção nas altas esferas do poder.
O relatório é assinado pelo inspetor Marlon Oliveira Cajado dos Santos, que comandou as investigações sobre o caso da tentativa de Dilma Rousseff em 2016 de nomear Lula da Silva seu ministro-chefe, em Março de 2016, para lhe dar privilégio de foro e o tirar da alçada da Lava Jato, que chegava perigosamente perto do antigo governante.
Embora não tenha incriminado formalmente nem Lula nem Dilma, o delegado sugere no relatório final da investigação que eles sejam formalmente denunciados ao temido juíz Sérgio Moro, que preside aos processos da Lava Jato que não envolvem pessoas com privilégio de foro, exatamente o magistrado de cuja alçada Dilma tentou tirar Lula. Nem Lula, agora ex-presidente, nem Dilma, destituída em 31 de Agosto passado, têm foro privilegiado, pois não estão mais nos cargos e, com isso, passaram a ser cidadãos comuns.
O episódio a que o relatório se refere ocorreu em Março do ano passado, quando Dilma, "apanhada" em conversas telefónicas sobre o assunto, nomeou Lula seu ministro-chefe para lhe dar foro privilegiado. Lula chegou a tomar posse, mas mais de 50 acções começaram a ser instauradas em tribunais de todo o Brasil nesse mesmo dia contra a nomeação, e a posse acabou por ser suspensa pelo Supremo Tribunal.
Segundo o relatório, com essa nomeação a então presidente Dilma Rousseff e Lula da Silva manobraram claramente para permitir a este último fugir da alçada da lei e atrapalhar o avanço da Lava Jato, dando ao ex-presidente o foro que garantia que ele só pudesse ser processado pelo Supremo Tribunal. É que a tramitação dos casos de corrupção no STF é extremamente mais morosa do que na primeira instância, comandada por Sérgio Moro, e, com isso, Lula ganharia um tempo precioso, talvez anos, como aconteceu a quase todos os outros suspeitos da Lava Jato que têm foro privilegiado.
Além de Lula e de Dilma, o relatório acusa do mesmo crime Aloízio Mercadante, que foi ministro da Casa Civil e da Educação de Dilma e que teria participado na trama. Mercadante é acusado ainda de tráfico de influência, por, ainda ministro, ter oferecido vantagens ao ex-senador e líder do governo de então, Delcídio Amaral, para este não colaborar com a justiça após a sua prisão também no âmbito da Lava Jato.
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