Desempregado foi detido por roubar comida.
Vários polícias da Esquadra de Gama Oeste, em Brasília, capital federal do Brasil, ficaram tão sensibilizados com o drama de um eletricista desempregado, preso na quarta-feira por furtar comida, que decidiram ajudar o homem. Após prenderem o homem, para cumprirem a lei e a exigência do dono do supermercado onde o furto ocorreu, os agentes juntaram-se para pagarem a fiança do eletricista e irem com ele comprar alimentos e produtos de higiene. Pagaram tudo e o homem saiu em liberdade.
O eletricista, que cuida sozinho da casa e do filho de 12 anos depois de a mulher, que sofreu um grave acidente, ter ido para casa do filho mais velho, de um casamento anterior dela, não consegue trabalho, mesmo que seja esporádico, há mais de dois meses. Vive com apenas 23 euros, que recebe mensalmente do programa de assistência Bolsa Família. Pensando que o dinheiro do programa já estava na sua conta, foi a um supermercado de Santa Maria, também em Brasília, comprar pão, queijo, fiambre e dois quilos de carne. Na caixa descobriu que, afinal, não tinha dinheiro suficiente na conta.
Desesperado, o homem deixou parte das compras no balcão e tentou esconder sob a roupa os dois quilos de carne de segunda que tinha escolhido para levar para casa e dar de comer ao filho, que nos últimos dias só tinha comido pão. As câmaras de videovigilância interna captaram o gesto e o dono do supermercado chamou a polícia, não aceitando as explicações e as desculpas do eletricista.
Na esquadra, o preso desmaiou durante o depoimento e, ao acordar, contou aos agentes que não comia há dois dias, pois deixava o único alimento que tinha em casa – o pão – para o filho. Sensibilizados, os agentes decidiram ajudar, para espanto do eletricista, que perdeu o emprego por ter ficado ao lado da mulher, que ficou vários meses em coma no hospital após o acidente.
Uma agente pagou sozinha a fiança estipulada pelo inspetor, equivalente a 90 euros, e depois os colegas começaram a doar o que tinham no bolso, uns dando 5 euros, outros 10. De seguida, foram ao supermercado com o emocionado eletricista, que não parava de agradecer os gestos de solidariedade. Encheram o carrinho com alimentos como carne, arroz, feijão, esparguete e outros, além de produtos de higiene pessoal, como dentífricos e sabonetes e, finalmente, levaram o homem de volta para casa.
"Sabemos que roubar não é certo, mas eu coloquei-me no lugar dele. Tenho uma filha e nem sei do que seria capaz se a visse com fome", afirmou Ricardo Machado, um dos polícias que ajudou o eletricista, resumindo o que todos os agentes sentiram ao saber da história do homem.
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