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Correio da Manhã

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Porto australiano bloqueado com canoas

Objetivo foi impedir o movimento de barcos que transportam carvão.
17 de Outubro de 2014 às 07:19
O protesto contou com a presença dos 'Guerreiros Climáticos do Pacífico'
O protesto contou com a presença dos 'Guerreiros Climáticos do Pacífico' FOTO: David Gray/Reuters

Uma centena de ativistas utilizaram esta sexta-feira canoas tradicionais para bloquear o acesso a um porto na Austrália para impedir o movimento de barcos que transportam carvão, num protesto para elevar a consciencialização para os efeitos das alterações climáticas.

O porta-voz da organização 350.org, Simon Copland, disse à agência Efe que "até ao momento se tentou impedir a passagem de um barco, de um total de 11, que deviam sair do porto".

"A embarcação conseguiu sair e acreditamos que, na verdade, se terá decidido que não saíram mais durante o dia, mas não temos a certeza", afirmou, explicando que na iniciativa, de cariz "pacífico e simbólico", participaram entre 300 e 400 pessoas.

O protesto contou com a presença dos 'Guerreiros Climáticos do Pacífico', um grupo formado por ativistas do Pacífico Sul que se deslocou com as suas canoas tradicionais até à Austrália.

Contra mina de carvão

O objetivo da iniciativa passa por travar a construção da mina de carvão de Maule Creek, que emitirá anualmente cerca de 30 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2), assim como a expansão da mina de Boggabri, ambas próximas da floresta Leard.

Os dois projetos - das empresas Whithaven e Idemitsu - implicam uma extração de mais de 22 milhões de toneladas anuais de carvão, o que, segundo os ambientalistas, contribuirá para agudizar os efeitos das alterações climáticas como o aumento do nível do mar.

Seia Mikaele Maiava, um dos 'guerreiros' de Tokelau, disse à agência noticiosa espanhola que o seu país já sofre com esse efeito em particular.

"Quando a maré sobe a água salgada afeta os nossos campos de cultivo que ficam a menos de um quilómetro da costa. As mudanças climáticas colocam em perigo a nossa segurança alimentar e as ilhas do Pacífico", frisou.

Esta ação na Austrália visa "consciencializar os nossos irmãos e irmãos que a indústria do carvão causa danos ao nosso meio ambiente" e que "é necessário atuar agora" explicou o ativista, apelando ao uso de renováveis como sucede em Tokelau, um território no Oceano Pacífico admnistrado pela Nova Zelândia, que figura no topo mundial da utilização destas energias, especialmente da solar.

Maiores poluidores

A Austrália é um dos maiores poluidores per capita do mundo e a política ambiental de Camberra foi já criticada or várias vezes, nomeadamente pela secretária da ONU para as Alterações Climáticas, Christiana Figueres.

O primeiro-ministro australiano, o conservador Tony Abbott, disse, esta semana, que a indústria do carvão "é o grande futuro, tal como foi o grande passado", antecipando que se tornará na principal fonte de energia nas próximas décadas.

O Governo de Abbott eliminou o imposto sobre a emissão de gases com efeito de estufa e ainda não definiu o seu objetivo para o uso de energias renováveis no país, enquanto se nega a incluir a discussão sobre as alterações climáticas na cimeira de líderes do G20, a ter lugar, em novembro, na cidade de Brisbane.

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