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Frederico Silva vincou que “Portugal encoraja muito a Venezuela a prosseguir neste mesmo rumo de reconciliação nacional”.
Portugal pediu a intervenção da presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, para conseguir a libertação dos cinco presos políticos luso-venezuelanos que continuam detidos, estando a aguardar boas notícias nesse sentido, disse o embaixador português em Caracas.
O pedido, segundo explicou Frederico Silva em entrevista à agência Lusa, foi feito recentemente, num encontro no palácio presidencial de Miraflores, em Caracas, por ocasião da apresentação das credenciais que o acreditam como embaixador de Portugal na Venezuela.
“Continuamos infelizmente a ter cinco outros detidos nas mesmas condições. Tal como em todo e qualquer outro contacto relevante, eu coloquei também essa questão à senhora presidente solicitando-lhe uma revisão dos casos, também à luz deste processo tão importante para a Venezuela e para o seu futuro, que é o processo de reconciliação nacional, com um diálogo inclusivo aberto a todas as partes venezuelanas envolvidas”, disse o diplomata ao ser questionado sobre a situação dos presos políticos.
O embaixador vincou ainda que “Portugal encoraja muito a Venezuela a prosseguir neste mesmo rumo de reconciliação nacional”, sublinhando que “uma parte importante desse esforço, desse processo, é a libertação de todos aqueles que por razões políticas se encontram detidos entre os quais se contam estes cinco cidadãos portugueses, luso-venezuelanos”.
“Nós temos sempre toda a esperança de que aconteçam boas notícias nesta área, por isso trabalhamos todos os dias e por isso (…) é um tema que nunca abdicamos de apresentar a todos os níveis tal como foi o caso com a senhora presidente Delcy Rodríguez, na apresentação de credenciais”, disse.
O diplomata começou por explicar que “a situação dos nossos nacionais está sempre, por definição, no topo das nossas preocupações” de Portugal e da Embaixada portuguesa no país.
“Isso é verdade agora, como foi verdade no passado, nestes últimos anos”, disse.
Frederico Silva sublinhou ainda que os seus antecessores, os cônsules-gerais de Portugal em Valência, em Caracas, e os responsáveis políticos portugueses, “sempre estiveram atentos e sempre colocaram o seu empenho na questão dos detidos”.
“Desde logo, saudamos e tive a oportunidade de o transmitir à senhora presidente o reconhecimento de Portugal pela libertação recente de um dos detidos. Foi um total de cinco libertados desde o início do ano, o que naturalmente muito agradou aos detidos, às famílias em Portugal”, disse.
Do encontro com Delcy Rodríguez, o diplomata destacou ainda “a forma entusiástica como a senhora presidente reagiu quando fez uma explanação sobre o valor, sobre a importância, sobre a dimensão da comunidade portuguesa e lusodescendente, seus filhos e netos para a Venezuela”.
“Reagiu de forma muito entusiástica, corroborando isso, e dando nota mais uma vez - tal como tenho recolhido de todos os responsáveis com quem tenho falado -, do muito especial apreço, carinho e afetividade que marca a relação dos venezuelanos com a nossa comunidade”, disse.
O diplomata explicou ainda que conversaram também “com bastante detalhe das possibilidades que se abrem em termos de cooperação económica, comercial, financeira” entre ambos países.
“De facto, Portugal dispõe, nos países vizinhos, já de muitas empresas muito ativas e importantes em áreas diversificadas, da energia, dos serviços, das tecnologias, do agroalimentar, no Brasil, México, e Chile, Uruguai e Paraguai”, explicou.
O diplomate precisou que a presidente interina detalhou também o interesse que a Venezuela tem em diversificar as suas parcerias económicas e comerciais.
“E, chamou também a atenção para as reformas que, nesse sentido, estão a ser empreendidas pelo Governo venezuelano, visando criar um ambiente de negócios marcado pela segurança, e previsibilidade que qualquer investidor, qualquer homem de negócios pretende ver existente”, disse.
O diplomata mostrou-se confiante, ao ser questionado se em breve é possível assistir a um reforço das relações bilaterais.
“Obviamente é esse o nosso rumo. Nós estamos aqui para isso. A Embaixada está aqui para estar sempre ao lado da comunidade portuguesa, lusodescendente, dos seus interesses, da sua proteção, e também, sistemática e permanentemente, para explorar e identificar e trabalhar todas as áreas que sejam de comum acordo, e para vantagens comuns na parte económica, mas também na parte da cooperação académica, da cooperação cultural, de tudo aquilo que une Estados e os povos”, disse.
Dados divulgados pela organização não-governamental Fórum Penal (FP) dão conta que, em 01 de junho, estavam presas 404 pessoas por motivos políticos na Venezuela, entre elas 39 estrangeiros, cinco delas com nacionalidade portuguesa.
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