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Correio da Manhã

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Presidente angolano: "Dívida financiou enriquecimento ilícito"

João Lourenço diz “não ser aceitável” que empresas públicas como a Sonangol tenham sido usadas.
Ricardo Ramos 16 de Junho de 2019 às 10:30
João Lourenço com discurso crítico do passado na abertura do 7º Congresso do MPLA
João Lourenço, presidente de Angola
João Lourenço, presidente angolano
João Lourenço com discurso crítico do passado na abertura do 7º Congresso do MPLA
João Lourenço, presidente de Angola
João Lourenço, presidente angolano
João Lourenço com discurso crítico do passado na abertura do 7º Congresso do MPLA
João Lourenço, presidente de Angola
João Lourenço, presidente angolano
O líder do MPLA e presidente angolano João Lourenço disse este sábado, na abertura do 7º Congresso Extraordinário do maior partido angolano, que a dívida externa do país atingiu um nível tão elevado porque foi usada "para financiar o enriquecimento ilícito de uma elite restrita".

Fazendo um balanço das últimas décadas, Lourenço lembrou que o país "teve de se endividar bastante" devido ao grande esforço de reconstrução nacional após a guerra civil, mas acrescentou que a dívida pública e a dívida externa só atingiram "estes níveis tão altos" porque serviram também "para financiar o enriquecimento ilícito de uma elite restrita, muito bem selecionada, na base do parentesco, do amiguismo e do compadrio, que constituíram aglomerados empresariais com esses dinheiros públicos".

Esta situação, continuou, faz com que, por cada dólar de restituição da referida dívida, Angola esteja igualmente a pagar esses investimentos "ditos privados, na banca, na telefonia móvel, nos media, nos diamantes, na joalharia, nas grandes superfícies comerciais, na indústria de materiais de construção e outros que uns poucos fizeram com dinheiros públicos".

"Não é aceitável e não podemos nos conformar com o facto de se ter chegado ao ponto de colocar empresas públicas, como a Sonangol e a Sodiam, a financiar também alguns desses negócios privados como se de instituições de crédito se tratassem", frisou, prometendo que a inversão desta situação - "uma batalha ainda não ganha", referiu - irá permitir que estes e outros recursos sirvam para "combater melhor a pobreza".

Lourenço fez ainda um apelo à renovação do partido, que precisa de dirigentes "que não esperam encontrar regalias, facilidades ou privilégios" e saibam que ser membro do Comité Central "exige mais trabalho, mais responsabilidade e melhor conduta social".

PORMENORES
Combate minado
O Secretário de Estado da Comunicação Social, Celoso Malovoloneke, disse à Lusa que é possível levar o combate à corrupção "muito mais além", mas admitiu que há "forças do passado" que estão a reorganizar- -se para minar o processo "de forma sistemática".

"Declaração de intenções"
Franco Marcolina Nhani, dirigente da UNITA (oposição) considerou que a intervenção do presidente angolano "foi mais um conjunto de declarações de intenções" e que as políticas do governo "não têm impacto na vida real dos cidadãos".
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