Chefe de Estado defendeu ser necessário conhecer cada vez melhor as diferentes facetas desta "dolorosa questão".
1 / 3
O Presidente da República de Cabo Verde considerou esta quarta-feira a violência baseada no género (VBG) como uma "dolorosa questão" que "a todos deve envergonhar", entendendo que o problema deve ser enfrentado atempadamente e em diversas vertentes.
Jorge Carlos Fonseca falava, na cidade da Praia, na abertura de uma conferência internacional sobre a violência baseada no género, fenómeno que, alertou, se tem agravado no país, com crimes violentos que deixam vários menores órgãos e famílias destroçadas.
O chefe de Estado cabo-verdiano defendeu ser necessário conhecer cada vez melhor as diferentes facetas desta "dolorosa questão" que "a todos deve envergonhar".
Para "enfrentar atempadamente" o problema e contribuir para prevenir a vitimização de mais mulheres, Jorge Carlos Fonseca apontou como uma das vias a troca de experiências entre académicos, vítimas, profissionais e entidades públicas e da sociedade civil de diversas paragens.
"É muito importante refletir sobre a nossa realidade, conhecer a de outros países e culturas e comparar experiências, conhecimentos e perspetivas", apontou o Presidente, considerando igualmente ser necessário atualizar as estatísticas, leis e estruturas de atendimento.
Para o chefe de Estado, o problema fundamental da violência baseada no género não se centra no quadro jurídico, mas sim a nível das práticas, particularmente das famílias, mas também nos contextos laborais.
Jorge Carlos Fonseca sublinhou as desigualdades de género no país, que considera favorecerem a violência, sobretudo contra as mulheres, que continuam a ser o rosto da pobreza no país, do desemprego e do trabalho precário, do trabalho doméstico e dos cuidados dos dependentes.
Para o chefe de Estado, esta situação só será alterada com o envolvimento dos homens e rapazes, com ações de promoção das chamadas "masculinidades positivas".
"Tais ações evidenciam a necessidade de se atuar em diversas vertentes, complementando a punição com uma verdadeira responsabilização que permita a consciencialização do problema pelo próprio agressor, a sua mudança comportamental e potencial recuperação", referiu.
O Presidente da República salientou ainda a importância da proteção das vítimas, permitindo uma "atempada e adequada" proteção social, psicológica e financeira.
Também exortou o Governo a continuar a prestar ajuda às famílias mais vulneráveis, por forma a prestar-lhes apoio adequado e atempado no seu processo de desenvolvimento, auxiliando-as na sua subsistência e fortalecimento.
"Não poderá haver verdadeiro desenvolvimento do nosso país, ou qualquer sociedade, sem a inclusão social, a proteção dos mais vulneráveis ou discriminados e uma cultura de paz e de cooperação humana. Acima de tudo, que, juntos, possamos evitar a perda de mais vidas humanas, a destruição de famílias e todos os males daí subsequentes", terminou.
A conferência foi realizada no âmbito da "Semana de reflexão sobre VBG" organizada pela Associação Cabo-verdiana de Luta Contra a Violência Baseada no Género (ACLCVBG) e no Dia Internacional da Família, que se assinala hoje.
A conferência conta ainda com a parceria do Instituto Cabo-verdiano para a Igualdade e Equidade do Género (ICIEG) e apoio da Cooperação Luxemburguesa em Cabo Verde.
Segundo dados apresentados por Cláudia Rodrigues, da ONU Mulheres, e que remontam a 2005, uma em cada cinco mulheres cabo-verdianas (22%) são vítimas de violência baseada no género, um crime que é público desde 2011.
Para a ativista, além da violência física, psicológica e verbal, há outros tipos de violência associados que ainda não estão nas estatísticas, como é o caso do assédio sexual, casamento infantil e tráfico de mulheres, fenómenos que, disse, já acontecem em Cabo Verde.
Relativamente ao casamento infantil, Cláudia Rodrigues referiu que os dados do recenseamento de 2010 apontam para cerca de 800 casos de crianças entre os 12 e os 17 anos nessa situação, maioritariamente por união de facto.
Além da educação, a ativista cabo-verdiana considerou que o combate à violência do género deve passar por políticas públicas ativas, respeito e implementação das leis, bem como o empoderamento das mulheres e também dos homens "para outras formas de masculinidade".
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.