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Correio da Manhã

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Produtor acusado de assédio sexual diz que devia ser elogiado por tudo o que fez por mulheres

Harvey Weinstein é acusado de violação por mais de 70. Reações dizem que produtor será lembrado como "um predador".
Diogo Barreto / SÁBADO 17 de Dezembro de 2019 às 14:21
Harvey Weinstein
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O produtor de cinema Harvey Weinstein, acusado de violação e assédio sexual por dezenas de atrizes, queixou-se da injustiça que é esquecerem "o trabalho que fez pelas mulheres". 

"O meu trabalho foi esquecido. Fiz mais filmes realizados por mulheres e sobre mulheres do que qualquer outro produtor de filmes — e estou a falar de há 30 anos, não de agora que isso está em voga. Fi-lo primeiro, fui pioneiro", disse o produtor de 67 anos em entrevista ao The New York Post. A entrevista ao jornal norte-americano foi feita no hospital  New York-Presbyterian/Weill Cornell Medical Cente depois de uma cirurgia à coluna na sequência de um acidente de carro em agosto deste ano.

Weinstein lembrou mesmo que em 2003, no filme Altos Voos, com Gwineth Paltrow, esta foi a "atriz mais bem paga num filme independente, ganhando mais do que qualquer homem". Paltrow foi uma das mais de setenta atrizes que acusou o produtor de ter tido um comportamento inapropriado para com ela, afirmando que o produtor a terá tentado seduzir, levando-a para um quarto de hotel e oferecendo-lhe uma massagem quando esta tinha 22 anos e começava a conseguir alguns papéis em Hollywood.

Em reação à entrevista, 23 das mulheres que acusaram o produtor afirmaram que este tentou "manipular e iludir a sociedade novamente" e acrescenta que o papel de Weinstein junto de mulheres não será esquecido: o papel de um "predador sexual e um abusador que não se arrepende do que fez, que tirou tudo e não merece nada", cita o jornal britânico The Guardian.

Harvey Weinstein alcançou um acordo de 44 milhões de dólares (39 milhões de euros) com as mulheres que o acusam de assédio sexual, os membros do conselho do seu antigo estúdio, e o gabinete do procurador-geral de Nova Iorque. O valor será usado para travar os processos e compensar as vítimas do produtor de Hollywood. 

O produtor está por detrás de filmes como A Paixão de Shakespeare, Pulp Fiction e O Discurso do Rei. Foi acusado por mais de 70 mulheres, na maioria atrizes jovens e outras no negócio do cinema, de má conduta sexual que remonta décadas.  

O caso Weinstein foi um dos que impulsionou o movimento #MeToo, que levou várias mulheres a denunciar situações de assédio sexual por elas vividas.
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