Prédio de seis andares colapsou este sábado na capital angolana. Era habitado por 18 famílias.
A Comissão Provincial de Proteção Civil de Luanda negou este domingo a existência de um relatório sobre as causas do desabamento de um edifício no sábado na capital angolana, sublinhando que as autoridades irão "apresentar estudos consolidados"
Foi "descartada a existência de um 'suposto' relatório que aventava possíveis causas que terão levado ao desabamento do edifício, referenciado no comunicado de imprensa da empresa Fundinvest, sendo que as autoridades competentes irão apresentar estudos consolidados", segundo uma nota do Governo Provincial de Luanda (GPL)
O prédio de seis andares pertence ao Fundo de Investimento Imobiliário Fundivest, que nos sábado divulgou um comunicado apontando como possível causa do desmoronamento uma "rutura de tubagem nas redes de distribuição de agua do do edifício vizinho", que contribuiu para a perda de capacidade de suporte do solo da fundação, citando um relatório do Laboratório de Engenharia de Angola.
O prédio era habitado por 18 famílias que foram realojadas, estando "praticamente descartada a possibilidade de existirem vítimas humanas entre os escombros do edifício 76-78 da avenida Comandante Valódia, sendo certo que as autoridades procederam à evacuação da infraestrutura de forma atempada e em segurança", adianta ainda o comunicado do GPL.
A Comissão Provincial de Proteção Civil de Luanda admite finalizar hoje ainda as operações e sugere que a entidade responsável pelo edifício "reforce o diálogo com os moradores para os passos subsequentes".
Da reunião de hoje, salientam, saiu "a recomendação para maior aproximação e diálogo entre a entidade privada proprietária do edifício e a comissão de moradores, sobretudo no que diz respeito às responsabilidades e aos acordos subsequentes"
O Fundinvest é gerido pela Eaglestone Capital, segundo a informação disponível no site do Banco Angolano de Investimentos (BAI), que comercializou este fundo de investimento imobiliário fechado, lançado a 30 de abril de 2022.
"O Fundo dirigirá os seus investimentos para a aquisição de ativos imobiliários, nomeadamente: aquisição de imóveis ou frações autónomas destinados à habitação, comércio, serviços, armazéns e edifícios industriais, bem como direitos de superfície, com o objetivo de promover o loteamento, construção e desenvolvimento de empreendimentos imobiliários", lê-se no anúncio de lançamento.
A Agência Lusa contactou a Fundinvest, por email, para obter esclarecimentos sobre o suposto relatório das causas e as negociações em curso com os moradores, sem respostas até ao momento.
As autoridades informaram igualmente que já foi feita a estabilização do edifício adjacente para permitir os estudos, tendo sido iniciada a colocação dos tapumes, limpeza e abertura da avenida, pelo que na reunião desta noite a comissão deve dar os trabalhos por encerrados.
Nas ações de buscas e remoção de escombros estiveram mobilizados 934 efetivos e 92 meios dos serviços de proteção civil e bombeiros, polícia nacional, Serviço de Investigação Criminal e empresas públicas e privadas de construção.
Preventivamente, no dia 24 de março, entre as 18:00 e as 22:00, os moradores foram sensibilizados para a necessidade de sair, face à derrocada iminente, e realojados.
Cerca de quatro horas mais tarde deu-se o colapso do edifício
Vários vídeos que circulam nas redes sociais mostram o momento da derrocada e algumas pessoas a fugirem apressadamente, antes de o edifício, que albergava também estabelecimentos comerciais, se desfazer numa nuvem de pó.
Várias viaturas ficaram também destruídas.
Hoje também foi anunciado que as autoridades angolanas recuperaram quase 135 milhões de kwanzas (cerca de 250 mil euros) nos escombros do edifício, montante não reclamado até ao momento.
"A quantia encontra-se sob custódia das autoridades, após ter sido formalizado o termo de apreensão. Os cidadãos que pretendam reclamar o montante devem fazê-lo nos termos da lei", adianta o GPL.
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