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Correio da Manhã

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Putin anuncia reforma para perpetuar poder na Rússia

Dmitry Medvedev demite-se após presidente propor alteração constitucional para dar mais poder ao Parlamento e ao primeiro-ministro, em preparação para quando deixar o Kremlin.
Ricardo Ramos 16 de Janeiro de 2020 às 08:24
Putin agradeceu o trabalho do PM demissionário, Dmitry Medvedev
Mikhail Mishustin será o novo primeiro-ministro
Putin agradeceu o trabalho do PM demissionário, Dmitry Medvedev
Mikhail Mishustin será o novo primeiro-ministro
Putin agradeceu o trabalho do PM demissionário, Dmitry Medvedev
Mikhail Mishustin será o novo primeiro-ministro
O presidente russo, Vladimir Putin, anunciou esta quarta-feira uma reforma constitucional sem precedentes para dar mais poder ao Parlamento e ao primeiro-ministro, no que parece ser uma manobra para garantir a sua continuidade no poder após abandonar o Kremlin no final do atual mandato, em 2024. A primeira consequência foi a demissão do primeiro-ministro Dmitry Medvedev, aliado fiel de Putin, que será substituído no cargo pelo relativamente desconhecido chefe da Agência Tributária Federal, Mikhail Mishustin.

A demissão de Medvedev e do seu governo apanhou de surpresa os analistas políticos russos, que ainda estavam a tentar processar as implicações da reforma constitucional anunciada por Putin. Medvedev diz que a sua saída visa "facilitar" as mudanças anunciadas pelo presidente, que compareceu ao seu lado na conferência de imprensa e agradeceu o seu trabalho, que será recompensado com o cargo de vice-presidente do Conselho de Segurança russo.

Sobre a a reforma constitucional, que promete submeter a um referendo, Putin explicou que se trata de uma "alteração profunda no sistema político russo, que visa aumentar o papel e a importância do Parlamento e a independência e responsabilidade do primeiro-ministro". Na prática, as mudanças propostas por Putin vão esvaziar o poder do seu sucessor no Kremlin e abrir o caminho para se perpetuar no poder como primeiro-ministro com poderes reforçados após 2024, no que a oposição considera como um "golpe de Estado Constitucional, mas legal".

Até lá, a chefia do governo ficará entregue a Mikhail Mishustin, de 53 anos, atual chefe do Fisco, mais conhecido do público russo por jogar habitualmente hóquei no gelo com o presidente, e que num ápice passou de relativo desconhecido a favorito à sucessão de Putin na Presidência.

SAIBA MAIS
2000
foi o ano em que Putin tomou posse como presidente, cargo que ocupou por oito anos, o prazo máximo então permitido pela Constituição. Antes tinha sido primeiro-ministro no final da Presidência de Boris Ieltsin.

Troca com Medvedev
Entre 2008 e 2012, Putin foi primeiro-ministro, trocando de lugar com Dmitry Medvedev, que colocou na Presidência por não poder candidatar-se a um terceiro mandato consecutivo. Regressou ao Kremlin em 2012 e vai no segundo mandato consecutivo de seis anos.
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