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Putin admitiu ainda que o aumento do preço do petróleo devido à guerra no Irão está a refletir-se positivamente nas receitas de Moscovo.
O Presidente russo considerou esta sexta-feira acertada a decisão do homólogo norte-americano, Donald Trump, de declarar um cessar-fogo com o Irão e negou o fornecimento de armamento a Teerão.
"Somos vizinhos dos países árabes e, francamente, isso coloca-nos numa situação difícil. Mas acreditamos que a decisão do Presidente Trump de suspender as hostilidades é a única correta. E esperamos sinceramente que este cessar-fogo, atualmente em vigor, conduza a uma paz duradoura", afirmou Vladimir Putin a partir do Fórum Económico Internacional de São Petersburgo (SPIEF).
O líder russo, que se recusa a declarar um cessar-fogo na Ucrânia, também não considerou que Israel tenha enganado Trump em relação ao conflito no Médio Oriente.
"Não tenho motivos para falar de qualquer engano ao Trump. É um político maduro e com muita experiência, e é improvável que alguém externo tenha a capacidade de exercer uma influência significativa sobre ele", respondeu à pergunta da moderadora.
Embora o líder russo tenha assinalado que as preocupações israelitas relativamente ao alegado desenvolvimento de uma arma nuclear por parte do Irão são bem conhecidas, apesar da reiterada negação de Teerão.
"No que diz respeito às armas, o Irão não nos pediu nenhuma, e nós não lhe fornecemos nenhuma", adiantou.
Lamentou que, apesar dos contactos e dos controlos, incluindo por parte da Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA), a situação tenha desencadeado um conflito armado.
Por outro lado, insistiu na proposta russa de armazenar urânio enriquecido iraniano e manifestou confiança na retoma da construção de instalações nucleares para fins civis assim que o conflito se acalmar.
"Quando a situação se acalmar, tencionamos continuar a colaborar com os nossos amigos iranianos na construção destas instalações nucleares", afirmou.
Além disso, acrescentou que podia ser importante "abordar as preocupações do Irão relativamente às restrições aos seus projetos nucleares pacíficos".
Putin admitiu ainda que o aumento do preço do petróleo devido à guerra no Irão está a refletir-se positivamente nas receitas de Moscovo.
"O preço do nosso petróleo está a subir, claro, isso reflete-se no orçamento, e isso é positivo", afirmou o líder russo em relação ao aumento do custo do petróleo no contexto da guerra no Irão.
Ao mesmo tempo, o líder russo alertou que, neste momento, a Rússia dá prioridade à estabilidade da economia e à diversificação das receitas, e que o elevado preço do petróleo também impulsiona a inflação.
"Neste momento, se os preços do petróleo se mantiverem elevados, continuará a ser caro, o que afetará toda a cadeia de interações económicas. Isto provavelmente terá impacto na inflação nas principais economias, incluindo os Estados Unidos", afirmou Putin.
Comemorou também que a proporção das receitas provenientes da venda de petróleo e gás em relação ao orçamento passou de 50% para 20%.
No entanto, não mencionou que esta redução foi acompanhada por uma queda generalizada das receitas russas provenientes das suas exportações energéticas.
Mesmo as receitas decorrentes do aumento dos preços nos últimos meses não conseguiram atingir os níveis de receitas alcançados no ano passado.
De acordo com o Ministério das Finanças, a Rússia aumentou em 39% as receitas públicas (um aumento de 239 mil milhões de rublos ou cerca de 2,7 mil milhões de euros) provenientes das vendas de petróleo e gás em abril, em comparação com o mês anterior.
Antes da guerra, em janeiro e fevereiro, o Estado russo tinha sofrido quedas significativas nas receitas provenientes das exportações de hidrocarbonetos, às quais se somam os danos causados pelos drones ucranianos a refinarias e terminais portuários, infraestruturas destinadas à exportação.
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