Na sequência da investigação foram conseguidas apreensões criminais significativas.
Dois franceses e dois chineses, entre eles dois diretores de uma empresa de alta tecnologia, foram acusados a 24 de março, em Paris, de ter entregado segredos industriais à China e Rússia, revelou esta quinta-feira uma fonte judiciária.
Segundo o jornal Le Parisien, que revelou esta quinta-feira o caso, a Ommic, 'empresa-mãe' francesa ligada à produção de semicondutores para a indústria de telecomunicações e para o setor espacial, foi sendo gradualmente adquirida por Ruoadan Z., um chinês de 63 anos, que se tornou presidente do conselho de administração em 2018, depois de comprar 94% das ações através de um fundo de investimento criado em França.
Marc R., identificado como o diretor-geral da estrutura empresarial, bem como um executivo chinês da empresa, foram acusados de entregar a uma potência estrangeira processos, documentos e arquivos suscetíveis de prejudicar os interesses fundamentais do Estado francês, crime punível com 15 anos de prisão e uma multa de 225.000 euros.
Segundo o jornal francês, citado pelas agências internacionais, a justiça suspeita que Marc R. tenha "criado numerosos esquemas de evasão para entregar conscientemente 'chips' poderosos e informações sobre tecnologias sensíveis à China e à Rússia", em particular o controlo de nitreto de gálio, um material que permite multiplicar o poder dos semicondutores.
O jornal parisiense explica que, para tal, foi criado um "esquema complexo" para "transferir equipamentos proibidos para Moscovo e contornar o embargo comercial que atinge o país desde a invasão da Crimeia, via China".
Inicialmente colocado em prisão preventiva, Marc R. foi libertado sob supervisão judicial do Tribunal de Apelação de Paris, segundo a mesma fonte judicial, que indicou que os outros três envolvidos também estão sob controlo judicial.
Outras cinco pessoas terão sido detidas pelos serviços de informações internos franceses (DGSI) em março, segundo o Le Parisien, o que as várias fontes ouvidas pela agência noticiosa France-Presse (AFP) não confirmaram.
O Le Parisien afirma que as primeiras suspeitas surgiram durante um controlo aduaneiro, no início de 2021, que deu origem à abertura de uma investigação preliminar pela Procuradoria Nacional Antiterrorista (PNAT) em novembro de 2022, confiada à DGSI e ao Gabinete Central de Repressão aos Crimes Financeiros Graves (OCRGDF).
Na sequência da investigação foram conseguidas apreensões criminais significativas, de acordo com a fonte judicial.
Segundo o Le Parisien, as ações da empresa foram apreendidas, permitindo que a França assumisse o seu controlo.
A empresa foi então vendida à norte-americana Macom.
Segundo a mesma fonte, a investigação judicial, aberta a pedido do PNAT, também diz respeito a suspeitas de exportação ilegal, contrabando, associação criminosa, falsificação e uso de falsificação e abuso de bens empresariais.
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