Líder do PP conseguiu maioria simples. Impasse político em Espanha termina ao fim de 10 meses.
O conservador Mariano Rajoy do Partido Popular recebeu hoje a confiança do parlamento para continuar a ser presidente do Governo espanhol depois do PSOE ter decidido abster-se para evitar a realização de novas eleições que deveriam penalizar os socialistas.
A investidura do chefe do atual Governo de gestão foi aprovada por 170 votos a favor dos deputados do Partido Popular (PP, direita), do Cidadãos (centro) e da Coligação Canárias (regional), tendo votado contra 111 da coligação Unidos Podemos (extrema-esquerda) e todos os partidos regionais, nacionalistas e independentistas.
Apesar da orientação dada no sentido da abstenção, 15 deputados socialistas não respeitaram a disciplina de voto e voltaram a votar hoje contra a investidura de Rajoy, não se sabendo ainda se serão sancionados pela direção do partido.
"Os últimos quatro anos foram muito difíceis [...] há ainda muitas tarefas para realizar [...] vamos tentar encontrar acordos com todos" os partidos, disse Rajoy logo a seguir à votação no Congresso de Deputados.
Mariano Rajoy tem 61 anos, é presidente do Governo desde 2011, quando foi eleito depois de ganhar com uma maioria absoluta as eleições ao PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol), e deverá tomar posse na tarde de domingo.
O candidato de direita vai agora governar apoiado por uma minoria no Congresso dos Deputados (parlamento) tendo-se já manifestado "consciente do que isso significa" e disposto a pedir a colaboração de outros partidos, principalmente ao Cidadãos e ao PSOE.
Mariano Rajoy assegurou antes da votação dos deputados que iria "corrigir tudo o que mereça correção, a melhorar tudo o que for melhorável e a ceder em tudo o que seja razoável", mas não a "derrubar tudo o que foi construído".
O chefe do grupo parlamentar do PSOE, António Hernando, avisou hoje Mariano Rajoy de que os socialistas irão "vigiar cada passo" que este der e que irão "aprovar iniciativas" que considerem necessárias.
Ao início da tarde, o ex-líder do PSOE, Pedro Sánchez, renunciou ao lugar de deputado para evitar a obrigação de respeitar a disciplina de voto do seu partido e abster-se na votação.
A mudança de posição do PSOE foi muito criticada por toda a extrema-esquerda reunida na coligação Unidos Podemos que, apesar de ter menos deputados do que os socialistas, quer liderar a oposição a Rajoy a partir de agora.
Os socialistas estão muito divididos, tendo-se Pedro Sánchez demitido em 01 de outubro por não concordar com a maioria do seu partido que decidiu que o PSOE se deveria abster para evitar umas terceiras eleições no espaço de um ano.
Na primeira votação de investidura, na quinta-feira, a candidatura de Mariano Rajoy foi chumbada pelos mesmos 170 votos a favor contra 180 contra de toda a esquerda (incluído o PSOE) e partidos regionais.
O líder do PP já tinha falhado uma primeira tentativa de investidura em setembro último quando apenas contou com o apoio do Cidadãos e da deputada da Coligação Canária, tanto na primeira como na segunda votação e a oposição de todos os outros partidos.
O PP foi o partido mais votado, mas sem conseguir a maioria absoluta, tanto nas eleições que se realizaram a 20 de dezembro de 2015 como nas eleições de 26 de junho em que aumentou a percentagem de votantes e o número de deputados.
O PP teve em junho 33,0% dos votos e 137 deputados, seguido pelo PSOE com 22,7% e 85 deputados, Unidos Podemos com 21,1% e 71 deputados e Cidadãos com 13,0% e 32 deputados.
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