De acordo com Carlos Santos, os constrangimentos que se verificaram não são da responsabilidade da CNE) de Angola.
O vice-cônsul de Angola em Portugal, Carlos Santos, disse esta quarta-feira que surgiram alguns problemas técnicos durante o processo eleitoral em Lisboa, mas, alertou, não são comprometedores, enquanto várias pessoas se manifestavam contra o MPLA.
"É verdade que surgiram alguns problemas do ponto de vista técnico, mas são coisas que não se podem evitar. (...) A tecnologia pode falhar em qualquer momento, mas as falhas que se verificaram em nada comprometem o processo", adiantou aos jornalistas Carlos Santos junto ao Consulado Geral da República de Angola em Lisboa.
De acordo com o vice-cônsul para as comunidades angolanas, os constrangimentos que se verificaram 'a posteriori' do registo oficioso não são da responsabilidade da Comissão Nacional de Eleições (CNE) de Angola.
Após ser questionado sobre o facto de haver pessoas registadas no país africano e em Portugal, Carlos Santos explicou que "não recebeu nenhuma reclamação", até ao momento.
"Eu sou um ponto focal da CNE [de Angola] e não recebi nenhuma reclamação. Lamentavelmente não recebi. Não tenho como responder a isso, porque essas questões não foram colocadas atempadamente", indicou.
Sobre a se contagem de votos em Lisboa terminaria esta quarta-feira, o dirigente lembrou que o escrutínio havia começado ao final da tarde, mas que ainda não teve acesso às atas, porque "não estavam elaboradas".
"Não posso garantir nada, o pessoal vai trabalhar se for preciso madrugada dentro, só saem daquelas salas quando o trabalho estiver concluído", afirmou.
Carlos Santos falava rodeado por pessoas que se manifestavam esta quarta-feira à tarde, junto às instalações do consulado, que se demonstravam contra o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), partido que governa o país africano de língua oficial portuguesa.
"A sociedade civil participou em massa. O nosso objetivo é claro. É ver essa ditadura a cair, mas por via democrática... A democracia é o poder que emana do povo. A comunidade angolana em Portugal está de parabéns, porque nós viemos aqui honrar efetivamente a democracia como Estado de Direito que defende o direito do povo", disse Kissamá de Castro, do Movimento "Vozes de Angola".
Apoiando o líder da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA, oposição), Adalbeto Costa Júnior, o porta-voz do grupo de manifestantes salientou que "o voto é uma necessidade social" e garantiu que as pessoas só irão desmobilizar quando forem conhecidos os resultados.
"(...) Nós só vamos sair daqui com os resultados. Toda a informação que não temos esta quarta-feira vamos ter, nós vamos arrancar por vias populares", atentou.
Por sua vez, Pedro Lopes, delegado da UNITA, disse que o partido "não tem nada a ver" com a manifestação.
"É simplesmente a voz do povo. Trata-se da sociedade civil. É iniciativa deles. Eles é que entenderam que tinham de estar aqui em peso e manifestarem-se com aquilo que têm estado a acompanhar. A UNITA não tem nada a ver com esta manifestação que assistimos", observou.
Pedro Lopes alertou ainda que as pessoas devem se "manter serenas" até à divulgação dos resultados.
"Neste momento, está [a decorrer] o processo de contagem dos votos. (...) Mantenhamos a calma até que a contagem termine e que alguém de direito venha cá ter connosco e nos diga algo", realçou.
As urnas encerraram às 18h00 no Consulado Geral da República de Angola em Lisboa.
As quintas eleições gerais em Angola perpetuam a disputa entre os dois principais partidos do país, o MPLA (Governo) e a UNITA (oposição), que tentam conquistar a maioria dos 220 lugares da Assembleia Nacional.
João Lourenço, atual Presidente, tenta um segundo mandato e tem como principal adversário Adalberto Costa Júnior.
No total, concorrem oito formações políticas que tentam conquistar o voto dos 14,4 milhões de eleitores.
O processo eleitoral, que tem cerca de 1.300 observadores nacionais e internacionais, tem sido criticado pela oposição, considerando-o pouco transparente.
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