Noite de domingo é dedicada aos desfiles das escolas de samba do grupo principal do Rio de Janeiro.
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O rei português D. Sebastião foi um dos grandes destaques da segunda e última noite de desfiles das escolas de samba de São Paulo, que começaram na noite de sábado e só terminaram na manhã deste domingo. Homenageado pela Escola de Samba Colorados do Brás, bairro do centro da capital paulista com forte presença de comerciantes portugueses, D. Sebastião teve a sua vida e a lenda contados no Sambódromo do Anhembi, na zona norte da cidade.
Com a "Bateria" (o conjunto dos ritmistas) extremamente afinada e vibrante a empolgar os mais de dois mil passistas que desfilaram na passarela e o público nas arquibancadas, a Colorados do Brás contou num samba-enredo interessante e bem defendido as origens e o curto reinado do jovem rei português até ao seu até hoje inexplicado desaparecimento na trágica batalha de Alcácer-Quibir, em Marrocos. A lenda que se seguiu a esse desaparecimento foi explorada em várias alas e carros alegóricos tentando explicar o que realmente aconteceu com D. Sebastião que, além de ainda cultuado em várias regiões de Portugal, é verdadeiramente venerado no estado brasileiro do Maranhão.
Impactante é o mínimo que se pode dizer do desfile da Escola de Samba Gaviões da Fiel, ligada ao clube de futebol Corinthians, a terceira a apresentar-se esta noite, que levou para o sambódromo do Anhembi um arrebatador enredo sobre as várias formas do amor, amor entre um casal, entre pais e filhos, amor pelo futebol, pelo samba e outras formas, surpreendendo o público com efeitos especiais criados pelo célebre carnavalesco Paulo Barros, quatro vezes campeão no Rio de Janeiro e contratado este ano. A primeira surpresa aconteceu logo na Comissão de Frente, intitulada "Fogo da Paixão", cujos membros, a certa altura, "incendiavam" as suas capas, para susto inicial e depois delírio do público, e outro efeito muito aplaudido foi o do quarto carro alegórico, de onde componentes com fantasias de gorila voavam em direção aos espectadores, presos por cordas.
Considerada por muitos a melhor apresentação da noite, a Mocidade Alegre levou para a passarela muito luxo, requinte nos acabamentos das fantasias e uma evolução irrepreensível. Com o enredo "Do canto das Yabás, nasce uma nova morada", a escola fez jus à expectativa de ser uma das mais fortes candidatas ao título paulistano deste ano, esperança reforçada pelo desempenho da empolgante "Bateria", cujos ritmistas em certo momento levaram o público à loucura ao ajoelharem-se na passarela e continuarem a tocar.
Primeira a desfilar, a Pérola Negra apresentou um enredo que se pretendia rico e detalhado sobre o povo cigano, suas vivências, hábitos e superstições. Os componentes da escola deram o máximo de si e levantaram o público nas arquibancadas, mas a escola apresentou alguns problemas e falhas decorrentes da cheia que há duas semanas inundou completamente a sua sede, na zona oeste de São Paulo, destruindo ou danificando boa parte das fantasias e alegorias.
Além destas quatro, desfilaram ainda a Rosas de Ouro, com um enredo sobre o desenvolvimento da tecnologia ao longo dos tempos que levou para a avenida até robôs que dançavam e a história da evolução da Humanidade desde os tempos da máquina a vapor até à inteligência artificial de hoje, a Águia de Ouro, que defendeu o enredo "Saber é poder, o poder do saber", que aparentemente o público não entendeu muito bem e por isso não correspondeu tanto como com outras escolas, e, finalmente, a Unidos de Vila Maria, outro bairro com forte presença portuguesa, mas que apresentou um enredo homenageando a China, impressionando com os seus grandes carros alegóricos com dragões, serpentes e templos. Na noite deste domingo começam os desfiles das escolas de samba do grupo principal do Rio de Janeiro.
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