Juiz Dias Toffoli poderá estar envolvido num dos maiores escândalos financeiros do Brasil.
Um relatório da Polícia Federal (PF), mantido em sigilo até ao final da tarde desta quinta-feira, deixou o juiz Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), numa situação ainda mais delicada do que a que já enfrenta há algumas semanas, lançando graves suspeitas sobre o envolvimento do magistrado com aquele que pode ser o maior escândalo financeiro do Brasil, as irregularidades de milhares de milhões de euros atribuídas ao Banco Master, encerrado compulsoriamente pelo Banco Central em Novembro passado. No telemóvel do principal suspeito da megafraude, o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, a PF diz no relatório ter encontrado várias citações ao juiz do Supremo Tribunal.
O teor exacto das citações a Dias Toffoli não é ainda conhecido, pois o próprio magistrado decretou sigilo sobre a investigação, mas fontes ligadas à polícia dizem que Vorcaro citou o juiz inúmeras vezes em conversas telefónicas e mensagens, inclusive falando sobre dinheiro. O relatório vai ser apresentado ainda esta quinta-feira aos outros juizes do STF por decisão do presidente do tribunal, Edson Fachim, que decidiu convocar uma reunião de emergência dada a gravidade do caso.
O que complica mais a situação é que o próprio Dias Toffoli é o relator da investigação no STF, função a que ele mesmo se nomeou assim que o Banco Master foi encerrado pelo Banco Central. Toffoli tem sofrido pressões de todos os lados para deixar o comando das investigações, mas tem recusado e já avançou a pessoas próximas que pode apanhar o que tiver de apanhar da opinião pública e da imprensa, mas não deixa o processo.
As pressões começaram quando se soube que dois irmãos de Dias Toffoli foram sócios de Daniel Vorcaro num resort no sul do Brasil, e que o juiz ficou hospedado nesse hotel quase seis meses em quatro anos, juntando todos os dias que passou lá. A pouco e pouco, novas informações deram conta de que não eram somente os irmãos que tinham contacto com Daniel Vorcaro e um fundo financeiro suspeito de ligação ao crime organizado, e que o próprio juiz tinha uma relação ambígua com todos.
Hoje, Dias Toffoli negou através de um comunicado ter qualquer relação de amizade ou negócios com Daniel Vorcaro, mas reconheceu pela primeira vez ser sócio da empresa que foi dona do resort e que o vendeu para o fundo. Ao longo do dia, novas informações surgidas na imprensa revelaram que a empresa de Dias Toffoli tem um capital social que nem daria para pagar um almoço ao magistrado e que está registada numa morada onde, na verdade, existe uma residência.
Em Janeiro, a própria Polícia Federal já tinha dito com todas as letras que as atitudes de Dias Toffoli na condução das investigações estavam a dificultar as apurações e poderiam garantir a impunidade dos suspeitos. Indiferente à acusação, Toffoli determinou esta quinta-feira que a PF envie para ele todos os dados relativos às citações ao seu nome encontradas no telemóvel de Daniel Vorcaro, agindo, ao mesmo tempo, como suspeito e juiz.
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