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Correio da Manhã

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Resgate ao Chipre castiga cidadãos

Os cipriotas receberam ontem com incredulidade e raiva as notícias de que vão perder quase 10% das poupanças depositadas nos bancos da ilha de Chipre. Essa medida representa o primeiro ‘corralito' (retenção de fundos) aplicado na Europa e foi a condição imposta ontem pelos ministros da Economia e Finanças da Zona Euro em troca de um resgate num valor de dez mil milhões de euros.
17 de Março de 2013 às 01:00
Desde as primeiras horas da manhã, milhares de cipriotas formaram filas à porta dos bancos para tentar salvar o seu dinheiro. Contudo, nessa altura já as entidades financeiras tinham congelado a nova taxa extraordinária. Quem tenha mais de 100 mil euros entrega 9,9%, enquanto os depósitos inferiores são taxados a 6,75%. O governo de Nicósia alega que foi forçado a aceitar as condições dos parceiros europeus, que incluem ainda um agravamento substancial dos impostos. O ministro cipriota das Finanças, Michael Sarris, reconheceu a dureza da retenção das poupanças dos particulares, mas defendeu a decisão do governo: "Perderiam muito mais caso o sistema financeiro, ou o próprio país, fosse à falência."

Refira-se que este ‘corralito' imposto pelo Eurogrupo vigora para todas as contas no Chipre, de cidadãos nacionais e estrangeiros, e proíbe as transferências bancárias para evitar a fuga de capitais para o estrangeiro. O presidente cipriota, Nicos Anastasiades, fala hoje ao país para explicar a medida.

Refira-se que a designação informal de ‘corralito' para esta prática foi criada na Argentina em 2001. Quando a crise atingiu o auge e a fuga de capitais ameaçava levar à falência os principais bancos, o governo congelou as contas dos cidadãos durante um ano. Os levantamentos foram então limitados a um valor de 300 pesos (cerca de 18 euros) semanais. *Com agências
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