Acidente causou 45 mortos e perto de 150 feridos.
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Os últimos destroços das carruagens do comboio de alta velocidade Alvia envolvido no acidente de há uma semana em Adamuz (Córdova), que causou 45 mortos, foram retirados este domingo das vias, noticiou a agência espanhola EFE.
A operação de remoção avançou após as carruagens do comboio Iryo que não foram afetadas pelo embate terem sido transportadas, no sábado, pela linha de alta velocidade em direção a Madrid.
A remoção concluiu uma fase crítica dos trabalhos de limpeza no local da colisão, ocorrida no domingo, 18 de janeiro.
Os restos das três carruagens do Alvia que sofreram o impacto direto com o Iryo foram cortados nos últimos dias, num processo faseado que deu prioridade à busca de vítimas antes de permitir a desobstrução das linhas.
Agentes da Guardia Civil estiveram no local durante o dia de sábado a recolher provas e a realizar registos fotográficos da "zona zero", antes de autorizarem a limpeza total dos destroços do comboio.
As três carruagens do Iryo que descarrilaram permanecem seladas pela Guardia Civil nas imediações do local do acidente, não tendo sido transferidas até ao momento por razões inerentes à investigação em curso, segundo a EFE.
O descarrilamento do comboio de alta velocidade Iryo terá sido provocado por uma "fratura do carril", segundo o relatório preliminar da comissão independente de investigação do acidente.
A outra composição, que passou em sentido contrário 20 segundos depois, chocou com carruagens do primeiro comboio que se tinham atravessado na linha.
O acidente causou 45 mortos e perto de 150 feridos.
Após a divulgação do relatório, o ministro dos Transportes, Óscar Puente, disse que todas as inspeções tinham sido respeitadas na linha e que as fissuras nos carris eram habituais. Mas houve "muito má sorte" no caso de Adamuz, considerou.
O jornal El Mundo noticiou este domingo que o troço da linha que colapsou em Adamuz apresentava uma junção de materiais novos com elementos de 1989, o que levou o Partido Popular (PP) a exigir a demissão imediata de Puente.
Como aconteceu o acidente entre comboios de alta velocidade em Espanha
VÍDEO: Medialivre
O secretário-geral do principal partido da oposição, Miguel Tellado, acusou o ministro dos Transportes de ter mentido sobre as causas do acidente.
"Óscar Puente passou toda a semana a repetir incessantemente que a via Madrid-Andaluzia tinha sido completamente renovada com um investimento de 700 milhões de euros", disse Tellado.
Citando o jornal, Tellado disse que "foi feita uma junção de carris antigos com carris novos e que, provavelmente, foi nessa junção que ocorreu o problema".
"Hoje, sabemos que Óscar Puente mentiu", acusou, durante uma conferência de imprensa na sede do PP, em Madrid, segundo a agência espanhola Europa Press.
Puente, numa conferência de imprensa na quarta-feira, afirmou que a via onde ocorreu o acidente tinha sido "recentemente renovada" e tinha passado "quatro inspeções nos últimos três meses".
Também a presidente da Comunidade de Madrid, Isabel Díaz Ayuso (PP), reagiu à notícia do El Mundo e acusou o Governo socialista de Pedro Sánchez de procurar culpados com base em "mentiras e ocultações".
Já Sánchez manifestou este domingoreconhecimento ao ministro dos Transportes pelo trabalho após o acidente ferroviário, afirmando que Puente esteve "a gerir e a dar a cara desde o primeiro momento".
Sobre as críticas da oposição, o líder dos socialistas vincou que a forma de responder às tragédias marca "a diferença entre uns e outros".
Segundo Sánchez, o executivo colocou "as vítimas no centro das prioridades", optando pela transparência e pela unidade, em vez da "confrontação política estéril".
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