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‘Roleta sexual’ preocupa médicos em Espanha

Jovens praticam jogo de sexo em que o objetivo é trocar de parceiro sem ejacular. Quatro raparigas já engravidaram.
9 de Janeiro de 2017 às 15:53
Jogo sexual está a preocupar a comunicade médica espanhola
Jogo sexual está a preocupar a comunicade médica espanhola FOTO: Getty Images

O "jogo do muelle" é simples e começou a ser divulgado em vídeo já há cerca de 3 anos nas redes sociais: vários rapazes sentam-se lado a lado, nus da cintura para baixo. Depois, e sem preservativo, as raparigas sentam-se em cima de cada um deles e vão trocando de parceiro consecutivamente. O objetivo é não ejacular e o último rapaz a atingir o orgasmo é o vencedor.

A prática está a difundir-se entre os jovens em Espanha, depois de ter sido divulgado um vídeo, gravado em Fuenlabrada, Madrid, no verão, que mostra o "jogo do muelle" ou "roleta sexual" a ser praticado por cinco rapazes e três raparigas, todos menores. Agora, a comunidade médica espanhola já mostrou preocupação. Pelo menos quatro raparigas espanholas engravidaram após participarem no jogo sexual, mas acredita-se que o número seja muito superior.

Ao jornal El Mundo, Pilaer Lafuente, ginecologista do Hospital La Paz, em Madrid, denuncia os perigos da prática, especialmente para as raparigas, quanto a casos de doenças sexualmente transmissíveis: "É alarmante, em particular na nossa unidade de adolescentes. De dois ou três casos por ano, passámos a ter mais de 10 a cada três meses. É bárbaro."

Posição igual é defendida pela sexóloga e psicóloga, Ana Lombradía. "É um problema de inconsciência e imaturidade. E é uma clara falta de educação sexual. Este tipo de práticas cria uma desigualdade entre rapazes e raparigas. São elas as mais vulneráveis, as que vão trocando. Neste jogo ninguém pensa no prazer, é uma questão de poder. As raparigas querem mostrar que são sexualmente desinibidas e os rapazes querem saber qual é o mais ‘macho’", defende a sexóloga.

Ao El Mundo, Lombardía alerta ainda para os perigos da "roleta sexual". "Mesmo que os rapazes usem preservativo, as raparigas entram em contacto com as secreções vaginais umas das outras. E claro, depois surge VIH, Hepatice C, sífilis, gonorreia, HPV", lamenta a psicóloga, que associa o jogo ao consumo de álcool e drogas.

A prática surgiu entre os adolescentes de Medellín e de outras cidades colombianas em 2011, denunciada por um diário local, o ‘ADN’, que publicou o testemunho de uma adolescente que engravidou numa dessas roletas sexuais.

"A ideia era demonstrar quem é que aguentava mais sem ejacular. Nunca pensei que pudesse ficar grávida, porque não durava muito tempo, era só um jogo", disse a  adolescente.

De acordo com dados da Secretaria da Saúde de Medellín, 7 mil mulheres entre os 10 e os 19 anos engravidaram em 2011, sendo que algumas dessas raparigas admitiram ter jogado à "roleta sexual".

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