Chefe da diplomacia italiana acrescentou que tenciona também propor aos seus parceiros "sanções individuais contra os responsáveis por estes atos odiosos".
O chefe da diplomacia italiana indicou esta segunda-feira que irá propor quinta-feira aos homólogos da União Europeia (UE) a inclusão da Guarda Revolucionária Islâmica do Irão (IRGC) na lista de organizações terroristas dos 27.
"As perdas sofridas pela população civil durante os protestos exigem uma resposta clara", escreveu o ministro dos Negócios Estrangeiros de Itália, Antonio Tajani, na conta pessoal na rede social X.
Tajani adiantou que apresentará a proposta "em coordenação com outros parceiros" numa reunião com os homólogos europeus que decorrerá em Bruxelas.
O chefe da diplomacia italiana acrescentou que tenciona também propor aos seus parceiros "sanções individuais contra os responsáveis por estes atos odiosos".
A Human Rights Activists News Agency (HRANA), uma organização não-governamental com sede nos Estados Unidos, declarou hoje ter confirmado a morte de quase 6.000 pessoas e que está a investigar milhares de outros casos, após o movimento de contestação que abala o Irão, reprimido com violência.
O Corpo dos Guardiões da Revolução Islâmica (CGRI), braço ideológico do guia supremo iraniano, o ayatollah Ali Khamenei, constitui uma força armada extremamente organizada, acusada pelos países ocidentais de orquestrar e participar na repressão do vasto movimento de contestação no Irão.
Os "Pasdaran" ("guardiões", em farsi) foram criados em 1979, pouco depois da revolução islâmica. Dispõem de uma vasta rede de informações, de meios terrestres, aéreos e marítimos e estão melhor equipados e treinados do que o exército regular.
O CGRI é o elo de ligação de Teerão com os seus aliados na região, como o Hezbollah libanês ou os grupos armados do Hachd al-Chaabi no Iraque. Controla igualmente empresas em todos os setores estratégicos da economia iraniana.
Os Guardiões da Revolução já são alvo de sanções por parte da União Europeia, que datam de 2021, numa reação às violações dos direitos humanos no Irão. No total, cerca de 230 pessoas, incluindo vários ministros, e cerca de 40 entidades foram sancionadas pela UE por violações dos direitos humanos.
As sanções foram posteriormente alargadas devido às atividades nucleares do Irão ou à ajuda prestada à guerra de invasão russa da Ucrânia, lançada em 2022.
Além das sanções das Nações Unidas aplicadas pela UE, os europeus dispõem também de sanções próprias, que preveem, entre outras medidas, o congelamento de bens e a proibição de deslocação no espaço comunitário.
Em vigor estão igualmente sanções comerciais ou financeiras, incluindo a proibição de exportação de armas ou de bens de dupla utilização civil e militar, bem como outro suscetíveis de serem utilizados em atividades relacionadas com o enriquecimento nuclear. Mantém-se também a proibição de importação do Irão de petróleo bruto, gás natural e produtos petrolíferos e petroquímicos.
Na semana passada, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou a intenção de proibir novas exportações de tecnologias críticas relacionadas com drones e mísseis.
Um responsável europeu confirmou na sexta-feira passada que a proposta de classificar os Guardiões da Revolução iranianos como organização terrorista constava da ordem de trabalhos da reunião desta semana, mas precisou que a decisão exige unanimidade para ser aprovada e que ainda não se chegou a essa fase.
A 20 deste mês, em Praga, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, Gideon Saar, considerou ter chegado "o momento de a UE qualificar os Guardiões da Revolução iranianos como organização terrorista".
Os Estados Unidos inscreveram os Guardiões da Revolução na lista de organizações consideradas terroristas pelo Departamento de Estado em 2019.
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