Rússia anunciou há algumas semanas que ponderava enviar petróleo bruto para Cuba por razões humanitárias, embora esta decisão representasse um desafio a Washington.
O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Ryabkov, prometeu esta quarta-feira que o país continuará a ajudar Cuba, comentando a chegada de um petroleiro russo com 730 mil barris de crude ao porto cubano de Matanzas.
"Simplesmente não temos o direito de os abandonar à sua sorte. Continuaremos a ajudar Cuba", afirmou em declarações à agência de notícias russa TASS.
Ryabkov adiantou que o envio de crude para Cuba teve por base, "sem dúvida, critérios humanitários", mas sublinhou que o país das Caraíbas é o seu aliado "mais próximo e mais fiável" na região.
"Há décadas que não escondemos a nossa posição de princípio de apoio a Havana e de cooperação face à crescente pressão dos Estados Unidos contra a nossa nação irmã, Cuba", disse.
Para o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, face à atual conjuntura de grave crise energética e às graves consequências para Cuba do bloqueio imposto pelos Estados Unidos, "esta ajuda é mais necessária do que nunca".
O petroleiro russo 'Anatoly Kolodkin', com 730 mil barris de crude, chegou na terça-feira ao porto de Matanzas, no oeste de Cuba.
"Esta valiosa ajuda chega numa altura em que um bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos tenta sufocar a população cubana", afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Cuba nas redes sociais.
O ministério lembrou ainda declarações recentes do porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, que afirmou que a Rússia considera seu "dever não ficar de braços cruzados", antes prestando "toda a ajuda necessária aos amigos cubanos".
A Rússia anunciou há algumas semanas que ponderava enviar petróleo bruto para Cuba por razões humanitárias, embora esta decisão representasse um desafio a Washington.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, assinou uma ordem executiva, a 29 de janeiro, a ameaçar impor tarifas a qualquer pessoa que forneça petróleo a Cuba, mas a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse, entretanto, que os Estados Unidos permitiram a chegada de um petroleiro russo a Cuba por "razões humanitárias" e que analisarão "caso a caso" se autorizarão a chegada de outros navios.
Este carregamento de crude representa um alívio para a crise que Cuba enfrenta, agravada pelo bloqueio energético imposto à ilha por Donald Trump após a detenção de Nicolás Maduro na Venezuela, em janeiro.
A ilha das Caraíbas necessita de cerca de 100 mil barris de petróleo por dia, dos quais obtém apenas 40 mil dos seus próprios poços.
O crude do navio 'Anatoli Kolodkin' demorará entre 15 e 20 dias a ser processado e mais cinco a 10 dias para ser entregue como produto refinado.
A carga russa poderá ser transformada em 250 mil barris de gasóleo, o suficiente para suprir a procura do país durante pouco mais de 12 dias.
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