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Como existem bancos em quase todas as cidades do país, a sua incorporação nas defesas aéreas ajudará a ampliar a cobertura do território russo.
As agências bancárias russas e respetivos funcionários poderão juntar-se à luta contra os ataques de drones ucranianos, segundo um ambicioso plano aprovado na terça-feira pela câmara baixa do parlamento da Rússia.
Os bancos suportarão o custo da instalação de sistemas eletrónicos de interferência nas suas instalações, enquanto funcionários selecionados abaterão os drones que se aproximarem, de acordo com o projeto de lei aprovado na sua terceira e última leitura na terça-feira.
Como existem bancos em quase todas as cidades do país, a sua incorporação nas defesas aéreas ajudará a ampliar a cobertura do território russo.
O diploma, que, segundo a agência de notícias estatal Interfax, foi pela primeira vez apresentado em agosto de 2025 e posteriormente alargado no seu âmbito, tem ainda de ser aprovado pelo Conselho da Federação (câmara alta do parlamento) e promulgado pelo Presidente, Vladimir Putin, antes de entrar em vigor.
A Rússia está a ter dificuldades em proteger o seu vasto território de um número crescente de ataques de drones ucranianos de longo alcance cada vez mais sofisticados.
Drones mais pequenos estão também a atrasar as tropas russas ao longo da linha da frente de 1.250 quilómetros e a perturbar as linhas de abastecimento do Exército invasor russo, afirmam analistas e autoridades ocidentais.
Com o aumento da intensidade e da abrangência dos ataques de drones ucranianos, as autoridades russas incentivaram as empresas a contribuir para medidas de proteção contra ataques aéreos.
Os bancos russos não têm sido um alvo prioritário para os drones ucranianos durante os quatro anos de guerra que se seguiram à invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022.
O plano inclui o banco central da Rússia e outras instituições financeiras importantes, entre as quais o Sberbank, detido maioritariamente pelo Estado.
Com os poucos pormenores incluídos no diploma, surgiram dúvidas sobre como funcionaria um tal projeto, uma vez que a instalação generalizada de equipamentos e a formação do pessoal para os utilizar exigirão um enorme esforço organizacional.
Com Putin ansioso por escudar a Rússia da guerra, o plano pode virar-se contra os seus esforços ao envolver cidadãos comuns e tornar as consequências da invasão mais visíveis.
A medida proposta reflete os crescentes problemas da Rússia com os drones cada vez mais sofisticados da Ucrânia, segundo Thomas Withington, investigador do Royal United Services Institute, em Londres.
O projeto de lei "parece indicar que as capacidades russas de defesa contra drones a nível militar estão a falhar, porque se estivessem a funcionar, não seria necessário criá-lo", disse o investigador, citado pela agência de notícias norte-americana, The Associated Press (AP).
"Esta situação não está a melhorar para a Rússia", observou, referindo que Moscovo está a debater-se com dificuldades em acompanhar as inovações ucranianas em matéria de drones.
A medida pretende "tentar transferir parte do ónus da proteção contra drones para setores não-militares e não-policiais", que se encontram sob pressão, explicou Withington.
Nos termos do projeto de lei aprovado em segunda e terceira leitura pela Duma, os funcionários dos bancos podem interferir ou intercetar as frequências de controlo dos drones e danificar ou destruir veículos aéreos, subaquáticos e terrestres não-tripulados que ameacem as suas instalações, sem esperar por uma resposta dos serviços de segurança.
"A interferência será utilizada para tornar mais difícil que os drones atinjam e ataquem os alvos relevantes", disse Anatoly Aksakov, presidente da Comissão de Mercados Financeiros da Duma estatal, ao jornal digital russo RBK.
"Além disso, também utilizaremos meios para abater estes drones, assim protegendo os alvos relevantes", acrescentou
Caberá a cada entidade determinar quais os funcionários autorizados a pôr em prática as novas medidas.
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