Norte-americano conseguiu provar a sua inocência após uma série de recursos judiciais.
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Sete de março de 1994. Darryle Adams foi assaltado numa rua do distrito de Queens, em Nova Iorque, EUA. Implorou pela vida enquanto esvaziava os bolsos para dar tudo o que tinha aos quatro homens que o interpelaram num beco escuro. Um dos ladrões apontou uma arma à sua cabeça. Um outro, que se movimentava de cadeira de rodas, bateu-lhe na cabeça com uma garrafa. Segundos depois levou um tiro, que se viria a revelar fatal.
Quatro dias depois, a polícia invadiu a casa de Samuel Browridge, na altura um jovem de 18 anos, para o levarem à esquadra. Esteve detido durante vários dias depois de dois homens o identificarem como o assassino de Adams através de fotografias. O testemunho serviu para convencer o júri a condenar o norte-americano por assassinato em 1995.
Browridge cumpriu 25 anos de cadeia, até ter sido libertado em março do ano passado. Desde o início que negou o crime, garantindo que estava em casa com a namorada e o filho no momento em que Adams morreu. A mãe e o filho estavam preparadas para testemunhar em tribunal, mas o seu advogado da altura não notificou o tribunal que as pretendia anexar ao processo como testemunhas, pelo que tal nunca chegou a acontecer.
O processo foi finalmente arquivado esta terça-feira, após a sua defesa apresentar uma moção contra a condenação. "Todos no sistema judicial falharam consigo de uma maneira ou de outra. No seu caso, o erro é monumental. Não é de admirar que os cidadãos do nosso país tenham dúvidas sobre a justiça criminal", disse o juiz Joseph Zayas ao dirigir-se a Brownridgde durante a audiência.
A acusação contra o americano baseou-se apenas no testemunho de dois homens: Kevin Boatwright e Quintin Hagood, que diziam tê-lo visto a atirar sobre a vítima. No entanto, estes testemunhos vieram a revelar-se incongruentes, a juntar ao facto de a arma do crime nunca ter sido encontrada.
Boatwright tinha sido abordado pelos quatro homens momentos antes de Adams ser baleado. Antes de apontar Brownridge como suspeito, identificou erroneamente outros dois homens, algo que nunca constou dos relatórios policiais. Durante o interrogatório disse ainda que o atirador tinha um corte de cabelo comum e estava na casa dos 20 anos. Brownridge tinha o cabelo crespo e tinha 18 anos.
Também o testemunho de Hagood se viria a revelar problemático. As descrições sobre o que viu naquela noite foram mudando com o tempo e fotos do local do crime sugeriam que o mesmo não poderia ter testemunhado o tiroteio do local de onde dizia estar. A testemunha sofre de esquizofrenia e aparentava estar num estado psíquico "desiquilibrado" durante o julgamento. Mais tarde, Hagood alegou ter sido pressionado por Boatwright e pela polícia, que ameaçou prendê-lo caso este não identificasse Brownridge como o atirador.
O juiz Robert Hanophy, hoje em dia aposentado, condenou Samuel Browridge a prisão perpétua com possibilidade de revisão de pena aos 25 anos de cadeia. O americano interpôs vários recursos ao longo dos anos, tendo em 2003 surgido uma nova testemunha ocular do assassinato, que garantia às autoridades que o nome do homicida era Garfield Brown. Todos os três homens que estavam com o culpado, incluindo o suspeito que se deslocava na cadeira de rodas, confirmaram que tinha sido este o homem a a atirar mortalmente sobre a vítima.
Brown tinha morrido um ano antes de o seu nome ter sido associado ao caso. Era um criminoso violento que já era procurado por dois assassinatos e considerado culpado de um homícidio na Califórnia. Acabou por morrer às mãos de polícias que o tentaram prender na Carolina do Norte, quando este andava a monte.
Mas esta nova testemunha que poderia vir a resolver o caso acabou por modificar as suas alegações, ao que tudo indica após ter sido ameaçado. Mais tarde concordou em testemunhar novamente, mas tal não foi permitido pelo tribunal. Na passada segunda-feira, o juiz que condenou Brownridge disse não se lembrar do caso. "Eu tenho 85 anos. Julguei mais homícidios do que qualquer juiz deste país. Deixei muitas dessas coisas para trás", disse.
Já Brownridge nunca esquecerá a condenação pelo crime que não cometeu. "Anos da minha vida que eu perdi. Anos como pai, marido...tantas oportunidades que eu perdi", disse. Hoje em dia, o norte-americano tenta retomar a normalidade na sua vida e trabalha num supermercado em Maryland.
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