Nasceu na noite de sexta-feira em local não revelado do norte da Europa o segundo bebé clonado pela empresa Clonaid, propriedade de uma seita conhecida como Movimento Raeliano. Brigitte Boisselier, presidente da empresa e directora do projecto de clonagem, anunciou que o bebé é uma menina e nasceu com 2,7 quilos de peso.
Este anúncio vem contrariar as declarações prestadas sexta-feira por Boisselier a uma televisão belga nas quais apontara para o nascimento do novo clone neste domingo. Bart Overvliet, líder da delegação holandesa da seita raeliana, confirmara esta mesma ideia ontem, poucas horas antes de Boisselier vir a dar o nascimento como um facto já consumado.
O que não foi nunca confirmado foi o país onde o nascimento teve lugar, nem a identidade do casal de lésbicas holandesas que cuidará da bebé.
Na Holanda os órgãos de informação especulam sobre a possibilidade de o novo clone ter nascido no país, mas, para além da nacionalidade da “mãe”, não há indícios que permitam confirmar estas suspeitas.
Saliente-se que a clonagem de seres humanos é proibida pela lei holandesa, mas, se o processo tiver sido realizado noutro país, não há nada na legislação que proíba o nascimento de um clone no território, afirmou um porta-voz do Ministério da Saúde holandês.
ADVOGADO QUER PROCESSAR
No momento em que anunciou a nova bebé ‘produzida’ pela seita raeliana – que acredita que os seres humanos foram criados por extraterrestres – Overvliet explicou que a “mãe” da criança não pertence ao movimento criado por Claude Vorilhon, mais conhecido por Rael.
Apesar deste novo anúncio sensacionalista, a Clonaid ainda tem de provar, através de testes de ADN realizados por investigadores independentes, que a bebé nascida a 26 de Dezembro nos EUA, e chamada Eva, é de facto um clone.
As amostras de ADN deveriam ter sido recolhidas na quinta-feira, mas os pais da bebé recusaram à última da hora conceder permissão para os testes depois de uma juiz da Florida ter defendido que a custódia de Eva deveria ser retirada à mãe caso se comprove que a menina é um clone.
A possibilidade de um processo legal contra os pais de Eva e a Clonaid teve início depois de o advogado Bernard Siegel entregar num tribunal de Broward, Florida, uma queixa contra a empresa. A base da queixa prende-se com a ideia de um abuso exercido sobre a bebé, que foi usada como cobaia, pondo em risco o seu futuro bem-estar.
Vorilhon afirmou na sexta-feira à CNN que aconselhou Boisselier a impedir os testes de ADN. “Se há qualquer risco de este bebé ser retirado à família mais vale perder a credibilidade e não fazer os testes”, afirmou Rael.
ABUSOS
A directora da Clonaid poderá ter que comparecer perantea Justiça depoisde um advogado ter pedido que Eva seja retirada aos pais para evitar a “exploração mediática ”.
RISCOS
Os criadores da ovelha ‘Dolly’ insistem nos riscos da clonagem. Dolly sofre de artrite grave e outras debilidades, fenómeno frequente em clones de outros animais.
CANDIDATOS
A Clonaid diz ter uma lista de 2000 pessoas dispostas a pagar 200 mil dólares para serem clonadas e garante que quatro novos clones nascerão até final de Janeiro.
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