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Subida da extrema-direita na Alemanha "foi o último aviso"

Friedrich Merz, líder da CDU e próximo chanceler, alerta que partidos do centro democrático devem trabalhar em conjunto para dar resposta aos problemas da população.

25 de fevereiro de 2025 às 01:30

O próximo chanceler alemão, Friedrich Merz, alertou esta segunda-feira que a subida estrondosa da extrema-direita nas eleições de domingo mostra que os partidos democráticos devem entender-se para resolver os problemas do país ou perderem de vez o eleitorado para os populistas.

“Este é, verdadeiramente, o último aviso aos partidos do centro democrático para se unirem na procura de soluções”, disse Merz, após o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha ter atingido nas eleições de domingo o seu melhor resultado eleitoral de sempre, duplicando o número de votos e de lugares no Parlamento e tornando-se a segunda maior força política do país.

O líder da CDU, que venceu as eleições mas obteve o segundo pior resultado eleitoral do partido, confirmou esta segunda-feira que pretende iniciar o mais rapidamente possível as negociações com os sociais-democratas do SPD, que ficaram em terceiro lugar, para a formação de uma coligação de Governo, mas estes já avisaram que um acordo “não é um dado adquirido”. “A bola está no campo de Merz. A forma como decorrerem as negociações é que vai determinar se é possível formar um Governo”, avisou o colíder social-democrata Lars Klingbeil. O chanceler cessante, Olaf Scholz, já fez saber que não participará nas negociações.

A imigração é um dos temas em que há maiores divergências entre os dois partidos, com a CDU a defender o fecho das fronteiras aos imigrantes ilegais e o reforço das deportações, medidas que o SPD diz que contrariam as regras da UE. Durante a campanha, os sociais-democratas criticaram duramente a CDU por ter feito aprovar no Parlamento uma proposta sobre o controlo da imigração com a ajuda dos votos da extrema-direita, quebrando um tabu político no país.

O SPD é o único parceiro de coligação viável para Merz, depois de o chanceler eleito ter reiterado o ‘não’ a uma possível aliança de Governo com a extrema-direita, decisão que levou a líder da AfD, Alice Weidel, a acusá-lo de “bloquear a democracia” e defraudar os milhões de alemães que votaram no seu partido.

Europa “independente” dos EUA

Friedrich Merz defendeu esta segunda-feira a “independência da Europa face aos EUA”, afirmando que a atual Administração norte-americana “não quer saber do futuro da Europa”. O futuro chanceler questionou ainda se, na próxima cimeira da NATO, em julho, a Aliança “continuará a existir na sua forma atual” e defendeu o reforço rápido da capacidade de defesa da Europa.

Minoria de bloqueio

O futuro chanceler alemão defendeu durante a campanha o alívio do tecto da dívida, para que o Governo possa pedir mais dinheiro emprestado, mas a medida tem de ser aprovada por dois terços do Parlamento. Porém, dois partidos que se opõem à medida - a AfD (extrema-direita) e o Die Linke (extrema-esquerda) - conseguiram eleger deputados suficientes para bloquear qualquer alteração.

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