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Médico diz em tribunal estar inocente na morte de Maradona

Sete elementos da equipa médica foram acusados de homicídio com dolo eventual.

16 de abril de 2026 às 22:30

O médico pessoal de Diego Maradona clamou, esta quinta-feira, em tribunal, estar inocente, no processo que julga a morte do ídolo argentino de futebol, ocorrida em 2020.

"Estou inocente e lamento profundamente a sua morte", assegurou o neurocirurgião Leopoldo Luque, ouvido no tribunal de San Isidro, onde estão a ser julgados os sete elementos da equipa médica acusada (médico, psiquiatra, psicólogo e enfermeiros), dez meses depois de um primeiro julgamento ter sido interrompido.

Os sete profissionais de saúde comparecem em tribunal com a acusação de homicídio com dolo eventual, ou seja, terem cometido atos negligentes sabendo que poderiam levar à morte.

Todos negam responsabilidade na morte de Maradona, escudando-se essencialmente no seu papel específico de um processo segmentado, remetendo mesmo a responsabilidade para os outros de um crime que pode ser punido com oito a 25 anos de prisão.

Maradona morreu em 25 de novembro de 2020, aos 60 anos, de crise cardiorrespiratória associada a edema pulmonar, quando estava em convalescença após neurocirurgia sem complicações a um hematoma na cabeça.

Esta é a primeira vez que Leopoldo Luque é ouvido no processo, incluindo o julgamento anulado em 2025 depois de dois meses, com 20 audiências e 44 testemunhas ouvidas.

Luque falou cerca de 30 minutos e defendeu, a exemplo de outros acusados, a tese de morte natural de Diego Maradona.

"O diagnóstico revelado na autopsia foi de insuficiência cardíaca crónica com cardiomiopatia dilatada, que descompensou e se agravou por falta de tratamento", afirmou Luque, citando os peritos. Insuficiência cardíaca "associada a substâncias tóxicas", vincou.

Enquanto médico pessoal de Maradona, a quem esteve ligado nos últimos anos de vida do antigo jogador, Luque foi apontado por várias testemunhas, no primeiro processo, como um dos principais decisores no grupo ligado a Maradona.

Esta quinta-feira, recordou que não foi ele, apesar de neurocirurgião, a operar Maradona ao hematoma na cabeça, e que não era seu médico em 2007, quando "deixou de receber tratamento cardíaco".

Luque também se distanciou da hospitalização a domicílio, decisão tomada pela equipa médica e família, em condições agora contestadas. "Sobre isso, disse explicitamente que sou neurocirurgião, não médico clínico, psiquiatra ou psicólogo", disse.

No início do processo, a acusação afirmou que ia demonstrar que a convalescença de Maradona foi "cruel, lapidar, desprovida de tudo" e que a equipa médica "decidiu não ouvir múltiplos sinais de alarme, abandonando Diego Maradona à sua sorte, condenando-o À morte".

O processo, com duas audiências por semana previstas, deverá prolongar-se por três semanas.

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